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Terra dos Sonhos.

por PR, em 25.01.18

Fui buscar a Carminho à escola, e demorei-me no regresso a casa, escolhendo um caminho alternativo, pelo meio de ruas sossegadas, de moradias, árvores e verde por todo o lado, sons de pássaros e aqueles raios do sol a espreitar pelas janelas do carro. Andando muito devagar, que são ruas com pouquíssimo movimento, estava tocar, do spotify, o Só, do Jorge Palma, na versão agora gravada ao vivo. 

Ali estive, eu e a Carminho, ao rimto cardiaco dos graves daquele piano, e comigo a cantar aquelas canções. E assim, a Carminho ouviu, pela primeira vez, a Estrela do Mar, Só, A Gente Vai Continuar, O Meu Amor Existe, Eternamente Tu, Terra dos Sonhos, e por aí fora. E ela sorria á minha voz, e agitava os seus narcinhos, como ela faz quando está contente, e eu fui guardando aqueles momentos, com muita vontade que eles nãos e percam algures no futuro que virá. Tomara que os guarde, e que a Carminho possa guardar, no fundo do que é e será, algo que é, para mim, tão precioso e tão parte de mim e do que sou: o universo de muitas daquelas canções. Chegámos a casa, desliguei o carro, e antes de sairmos, olhei para trás, para ela na cadeirinha, a sorrir para mim, tão contente, tão pura, tão cheias de promessas só boas, para toda a vida,e pensei que, realmente, o que há de mais importante, perene, valioso e determinante, na vida, é um momento assim, pequeno e enorme, que cabe dentro de nós e do mundo que construimos, nas nossas relações. Neste caso, na imensa via láctea de afectos, cumplicidade, aprendizagem, deslumbramento, sonho e simplesmente riso, entre um pai e uma filha, que, aos 10 meses, já ouviu o pai dizer-lhe, a cantar, no carro: "O meu tesouro és tu. Eternamente tu."

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