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Este fim de semana, a minha mulher esteve a descobrir os meus vários exemplares que escrevi, do mágico Livro em Branco. O primeiro, já de páginas amareladas pelo tempo, começou a ser escrito em 1989. Noutra vida, portanto.
Fiquei feliz que ela tivesse tido a iniciativa de ler aquilo e de partilharmos juntos algumas passagens. E lembro-me que, quando comprei o primeiro, aquilo foi, para mim, uma revelação. A existência de im Livro em Branco, que uma pessoa comprava e depois escrevia o que quisesse, parecia-me a mais prometedora das ideias. Depois veio a net, os blogs e redes sociais, e os livros ali ficaram, com a sua sábia paciência de livros, numa prateleira qualquer. A espreitar das suas lombadas, perenes e constantes na sua promessa.
Ao longo dos anos, fui escrevendo. Desabafos, delírios, poemas, desenhos, letras de canções (passadas à mão, de ouvido, não havia cá internet). A ultima vez que escrevi foi em 2009. E é aí que vou, um dia destes, voltar a pegar naquelas páginas que deixem em branco.
Há tanto para contar de 2009 para cá, que acho que vou passar por cima e retomar com algo novo, como se não tivesse permanecido em branco tanta página por escrever ali, nos últimos 7 anos. Contar tudo o que aconteceu entretanto não faz sentido, aquilo para mim nunca foi um diário, nem nada do género.
Folheando tudo aquilo de novo, mergulho em profundo embaraço, a maior parte das vezes; como acontece de cada vez que o espelho nos devolve uma imagem do que fomos, há tanto tempo. Amores e desamores, duvidas e certezas todas condenadas, vistas daqui...E daí, nem todas.
A verdade é que há ali uma matriz, reconhecível mesmo a todos estes anos de distância. Ontem vi Morgan Freeman num documentário a dizer que, se existir Deus em cada um de nós, ele está no melhor que conseguimos ser, a cada momento, naquilo que é o que somos mais fundo.
Deus não sei, mas aquilo que está nas páginas daqueles Livros em Branco, é muito do que sou ainda hoje.
Ingenuidade, idealismo, o ser sempre sonhador, romântico (o amor e o desamor estão ali por todo o lado, em linhas e entrelinhas), e generosidade nos meus gostares.
As pessoas a quem ofereci páginas ali foram todas importantes, e é um aconchego interior notar que muitas delas ainda vivem na minha vida, muito presentes. Outras não, e também está bem assim, que a vida peneira, escolhe, inclui e exclui. É o que é.
Também gosto de perceber que, á luz da minha vida hoje, vou dar muitas páginas a muita gente, faço questão.
A começar pela Rita, que me trouxe pela mão, de volta a estes meus livros, numa viagem emocionante. Haverá estes livros á venda, ainda hoje? Espero que sim, para quando acabar este, ao qual vou agora regressar.