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Terra dos Sonhos.

por PR, em 25.01.18

Fui buscar a Carminho à escola, e demorei-me no regresso a casa, escolhendo um caminho alternativo, pelo meio de ruas sossegadas, de moradias, árvores e verde por todo o lado, sons de pássaros e aqueles raios do sol a espreitar pelas janelas do carro. Andando muito devagar, que são ruas com pouquíssimo movimento, estava tocar, do spotify, o Só, do Jorge Palma, na versão agora gravada ao vivo. 

Ali estive, eu e a Carminho, ao rimto cardiaco dos graves daquele piano, e comigo a cantar aquelas canções. E assim, a Carminho ouviu, pela primeira vez, a Estrela do Mar, Só, A Gente Vai Continuar, O Meu Amor Existe, Eternamente Tu, Terra dos Sonhos, e por aí fora. E ela sorria á minha voz, e agitava os seus narcinhos, como ela faz quando está contente, e eu fui guardando aqueles momentos, com muita vontade que eles nãos e percam algures no futuro que virá. Tomara que os guarde, e que a Carminho possa guardar, no fundo do que é e será, algo que é, para mim, tão precioso e tão parte de mim e do que sou: o universo de muitas daquelas canções. Chegámos a casa, desliguei o carro, e antes de sairmos, olhei para trás, para ela na cadeirinha, a sorrir para mim, tão contente, tão pura, tão cheias de promessas só boas, para toda a vida,e pensei que, realmente, o que há de mais importante, perene, valioso e determinante, na vida, é um momento assim, pequeno e enorme, que cabe dentro de nós e do mundo que construimos, nas nossas relações. Neste caso, na imensa via láctea de afectos, cumplicidade, aprendizagem, deslumbramento, sonho e simplesmente riso, entre um pai e uma filha, que, aos 10 meses, já ouviu o pai dizer-lhe, a cantar, no carro: "O meu tesouro és tu. Eternamente tu."

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2077 é amanhã.

por PR, em 03.01.18

Deu ontem, na RTP, e não dá para ficar indiferente.

Um documentário com uma visão do futuro, mais  próximo do que distante, mais real que ficção cientifica. Abre inéditas possibilidades, umas encantadoras e fascinantes, outras assustadoras e perturbadoras. Tudo a mudar tão depressa, mais rápido do que em qualquer outra era humana. A ver.

Tanto neurónio português brilhante também impressiona, já agora.  Serviço público.

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Look.

por PR, em 28.12.17

Acabo de ver um daqueles filmes que vai ficar na minha memória muito tempo. Primeiro com muitas cenas nítidas, diálogos, expressões faciais...depois, com o tempo, irão ficar aquelas sementes que filmes raros nos vão deixando crescer dentro de nós, iluminando-nos o caminho, nas nossas próprias cenas, do nosso próprio filme, em cena todos os dias e noites que vivemos.

Este filme apela à necessidade de olharmos, para lá da distracção do dia-a-dia, dos nossos problemas e neuras, para lá da passagem do tempo que acontece connosco distraídos. Subitamente, passou mais uma semana, Um mês. Os miúdos estão enormes. O que foi que nos aconteceu. O que foi que se passou e estava a passar, enquanto estavam distraídos a viver coisas mais pequenas?

Este filme faz-nos,como dizia a Rita, agora no caminho do cinema, querer chegar a casa e abraçar os nosso filhos. Claro. E mais do que isso, faz-nos ligar um sensor de alarme interior, para quando nos esquecermos de olhar o outro e olhar o outro que somos nós. Porque o tempo está a passar. E há todo um encanto que não podemos desprezar nem deixar de valorizar: nos filhos, na família, nos amigos, na vida que nos calhou e que vamos fazendo acontecer.

Vejam o filme, é sobre todos nós. E é encantador, mesmo.

 

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Xmas in the Night 2017

por PR, em 18.12.17

Era uma noite especial, por muitos motivos. No ano passado, não fizemos. Era o primeiro com a Vera. Era a mais ambiciosa produção de sempre. Estávamos nervosos, mas o ambiente foi sempre espectacular, a equipa junta e a remar toda para o mesmo lado, os músicos ultra generosos e talentosos, ali ao nosso lado, a ajudar-nos em cada momento. Família e amigos na primeira linha do nosso olhar, ligação directa aos afectos, em todas as músicas, nos olhares que se cruzaram, nos gestos nossos.  O regresso da Joana com as fotografias que só ela consegue que fiquem assim. A equipa toda orgulhosa e comovida. Os convidados que foram sempre parte da magia, companheiros nesta aventura. A incrível generosidade do público, tanto carinho que comove, sempre. Foi bonita a festa. Orgulho e gratidão em partes iguais. 

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Dias úteis

por PR, em 13.12.17

Quando a minha filha Mafaldinha me surpreende, comentando que anda a ouvir uma música com uma letra incrível, e que eu devo conhecer.. E saca do telemóvel e põe a tocar no carro, ao meu lado, o extraordinário, e lendário, "2º andar direito", do Sérgio Godinho. E vamos os dois pela A5 a cantar. E, depois, Jorge Palma, e Rui Veloso, e ela sabe, como eu, as palavras todas, e sorrimos, cúmplices, com as linhas e entrelinhas das letras. Deixo-a em casa e venho tão feliz, no carro, a pensar que esta miúda é um tesouro e no bom que é ela dar valor a estas canções e a tudo o que elas vêm melhorar na nossa vida.

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Palmas.

por PR, em 07.12.17

O meu amor tem lábios de silêncio
e mãos de bailarina
e voa como o vento
e abraça-me onde a solidão termina

 

Ontem, ao chegar a casa, da apresentação do meu livro, liguei a televisão, e ali estava, Jorge Palma, num cenário inédito: um piano no meio de uma redacção, e ele ali, com as musicas e as palavras que trago comigo há tantos anos. O disco "Só" é um dos discos da minha vida, e parece que vai ter agora uma versão gravada ao vivo. Lembro-me, nos idos de 91, de um especial que foi feito no CMR - Correio da manhã Rádio -, onde eu dava os meus primeiros passos neste oficio. A estação fazia sempre especiais de uma hora em que mostrava os discos novos, e, naquele caso, a Judith Meneses e Sousa, hoje jornalista na TSF, lendária repórter parlamentar; baptizou o especial de "Amores de Bairro". Bem.

Esse disco abriu-me, em definitivo, para a obra do palma, que, para mim, até então, era basicamente o "Deixa-me rir" e o "Lado errado da noite". 

Depois do "Bairro do Amor" dei por mim naquela demanda apaixonada, a descobrir tudo: as canções todas, o escrever do Palma, a sua personalidade de contrastes, entre a poesia e o degredo...e um dia apareceram-me aos ouvidos aquelas canções, despidas dos arranjos, agora era só piano e voz, e, meu Deus, que maravilha.

Ainda hoje volto muitas vezes ao Palma, e é sempre um calorzinho, percebo sempre que as canções dele estão, para sempre, na minha vida, e confesso que, ao vê-lo ontem na TVI, a tocar e a cantar, poucos dias depois de perdermos o Zé Pedro, que fez com o Jorge o Palma's Gang, pensei: o Zé Pedro, lá em cima, está a pedir para pôr mais alto.

 

Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar

 

O Jorge Palma é um poeta, e um músico extraordinário. E guarda aquele fio invisível que une, num equilíbrio secreto, o voo puro das asas de anjo e a negritude de olhares nocturnos sombrios, como só é possível aos super heróis que sabem mais, muito mais, da vida, do que nós, os meros humanos. Mas...

 

..não há passos divergentes para quem se quer...
Encontrar

 

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Soube mesmo bem. 

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O Zé Pedro consegue a unanimidade que ultrapassa a da circunstância, e não há ninguém que não tenha uma palavra boa para ele. Ninguém, nem na calada da dor geral, destoa. 

E a razão é simples: o Zé Pedro foi a pessoa mais gentil, mais verdadeira, mais honesta, mais simpática, mais doce, foi uma pessoa boa, todo o tempo. Viveu, viveu muito e muito intensamente, soube aprender com tudo e só não saiu vivo desta maldita doença. Mas que deu uma luta do caraças, isso está à vista. Submissão, nunca.

A primeira vez que estive com ele, foi num programa chamado Top +, há muitos anos. Tímido como sou, foi naturalmente nele que encontrei a fresta de luz aberta para começar a conversar e a soltar alguma conversa coerente, de um miúdo que cresceu com os Xutos na sua vida, mas que via o Tim, o Gui, o Cabeleira e o Kalú ali ao pé, e tremia, e escondia-se,  não tendo sequer coragem de olhar de frente para eles. Mas com o Zé Pedro foi logo diferente, disse-me que tinha achado graça a um trocadilho qualquer que eu tinha feito num programa, umas semanas antes. Ele sorriu, aquele sorriso quente e solidário, aquele sorriso do Zé Pedro, amigável e seguro.

Desde esse dia foram muitos encontros, muitas entrevistas, e sempre manteve, não só o sorriso, mas sobretudo, vim a descobrir ao longo do tempo, uma cativante e genuína simpatia, serena de quem já conhece todos os lados e avessos desta coisa de viver, e sabe que somos todos iguais, nas nossas fraquezas, ilusões e misérias. E que vale a pena ser boa pessoa.

O Zé Pedro era muito boa pessoa, juntava em vez de dividir. Nunca lhe ouvi uma palavra menor em relação a quem quer que fosse, não alimentava intrigas, abominava mentira, procurava sempre o melhor: na vida, na música, no futuro, nas pessoas.

Já tenho saudades dele. De como ele me deu a conhecer musica nova tantas vezes. De como debatemos o nosso Benfica, outras tantas. Quando fui, na sexta-feira, ao Museu dos Coches, lembrei-me de como certamente ia sorrir perante aquele cenário tão grandioso, ele que odiava minutos de silêncio, tinha ali conversas de amigos à sua volta. O Zé Pedro foi um ser humano extraordinário. Foi mesmo. 

Aos Xutos, aquele forte abraço. Ergam escadas, partam muros.

Como sempre fizeram com ele, e, partir de agora, por ele. 

 

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Uma tristeza só.

por PR, em 24.11.17

Esta coisa de nos morrerem cada vez mais pessoas que nós conhecemos. Pessoas que se cruzaram connosco a dada altura, e outras que ainda no outro dia ali estavam, mesmo ao pé de nós.

Cada vez mais pessoas a desaparecerem-nos.  Cada vez somos menos. E o tempo passa e não nos encontramos, não ligamos, nada sabemos, e depois "porra, nem sabia que estava doente".

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Natal.

por PR, em 17.11.17

Não é bem o livro que eu esperava editar primeiro. Tanta gente me pediu, e agora uma editora chegou à frente e desafiou-me, vai acontecer: O Livro das Ribeirinhas, o Compêndio Possível.

Sai dia 06 de Dezembro, e foi divertido de escrever, num regresso a piadas, todas elas secas, de uma vida a chatear as pessoas com trocadilhos e jogos de palavras. Já fica,

Façam-me esse favor. 

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Do Amor.

por PR, em 11.10.17

Uma pergunta muito recorrente é se alguém acredita no Amor. Não no sentido de achar que vai resolver a sua vida sentimental ou se está apaixonado, mas num sentido mais largo, até filosófico. Acontece muito quando alguém é deixado, o desabafo "já não acredito no Amor". Mas há uma dimensão superior desta palavra especial, que ultrapassa o restrito sentido romântico para passar a ser pleno, na sua substância. O Amor de letra grande é aquele que não é determinado nem por paixão nem por contrato, nem por hábito nem pela razão.

É, simplesmente. 

E é nesse amor absoluto e que é tão instintivo como o é o acto de respirar que trata este texto. Algo que não é ensinado, simplesmente é, em todo os eu esplendor, mesmo antes de ser possível uma palavra.

Tenho esta reflexão no dia em que chego cansado do trabalho e, ao entrar em casa, surge a minha filha de 7 meses, a flutuar num sorriso de boca aberta, de alegria em sol maior. Um iluminar de um pequeno rosto que representa uma alegria pura, que ouso puxar para o significado lato do Amor. Porque é assim que o interpreto. A Carminho faz hoje 7 meses e sim, eu quando a vejo tão genuinamente feliz por nos ver, a mim, à mãe, aos irmãos, eu chamo a isso Amor. O Amor maior. Puro, sem filtro, ainda mais valioso porque não está aprendido nem ensinado, de outra forma que não com o afecto diário, o instinto protector, a brincadeira, o cuidado com tudo o que é a vida dela e a sua vivência diária. Está na troca de olhares durante as refeições, enquanto se canta o "...barqueiro leva o barco ao Mira", está na galhofa no banho, com ela a agarrar os patinhos e já tão crescida a equilibrar-se, sentada na banehira; está no jogo co "cu-cu" de aparecere  desaparecer do seu olhar, que alegria tão pura!

Este amor não tem comparação com nada. É maior que tudo.

É tudo. 

É.

 

 

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