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Desta coisa de ser Pai

por PR, em 18.03.11

Este é o texto, na íntegra, para o Editorial de hoje do Jornal Metro. No jornal apareceu menor, por falta de espaço. Este é o texto completo:

 

 

Ser director do Metro é uma responsabilidade e um desafio, mesmo que seja apenas  por um dia. Estou habituado a sons e a minutos, a palavras ditas, não tanto a palavras escritas , paginação, número de caracteres, hora de fecho.

Mas ser o director do Metro, na edição dedicada ao dia do Pai, torna a coisa mais leve, curiosamente. Porque é um território de grande conforto, e mesmo aconchego, para mim. 

Se há coisa que eu sei que faço bem, é esta coisa de ser pai. Mesmo.

Sinto, aliás, que é algo que me corre nas veias, de uma forma muito particular, como se, antes dos meus filhos terem nascido, eu já fosse, de alguma maneira, Pai sem saber.  

Não se é Pai de um dia para o outro. Nasce-se pai. Está em nós, naquilo que somos e vamos ser. Esta forma de olhar os filhos com igual encantamento e sentido da imensa responsabilidade. Nasce-se com este respeito pela Infância, por essa altura da vida que tudo define para o que virá depois. 

Os dias em que os meus filhos nasceram estão gravados na minha memória como se tivesse sido agora mesmo. Estive lá, cortei cordão umbilical, e cumprimentei-os à chegada, “Olá, eu é que sou o teu pai”, em lágrimas boas, a 14 de Julho de 2000 e a 25 de Junho de 2003, na Maternidade Alfredo da Costa.

Brincar com os meus filhos, ajudá-los nos TPC’s, dar-lhes a mão quando estão com medo, cozinhar para eles, rir com eles, adivinhar-lhes  ansiedades e alegrias mesmo sem ser preciso dizer nada, estar presente em  todos os momentos mágicos que aquecem a existência, seja num jogo de futebol do puto, seja a ouvir a miúda a cantar músicas de Natal na Escola. Ou então a falar dos irmãos que hão-de vir, qualquer dia. 

Não falte à festas do dia do Pai, nunca! E saiba que o dia do pai expande-se, o dia do pai são muitos dias, são todos os dias. E digo isto, mesmo estando este ano a sofrer de uma certa angústia: amanhã vou estar a trabalhar, e só vou estar com os meus filhos mais tarde. 

Não imagina o que isso me afecta!

Um poema de José Carlos Ary dos Santos, que me é muito caro, diz que um filho “é ver-se um homem prolongado, das raízes da terra até ao céu. Meu filho, minha vida, és meu sangue e meu caminho, meu pássaro de carne, meu amor”.É isso mesmo. 

Eu sou um Pai que ama cada segundo que passa com os seus filhos, que se comove com os dois, e que agradece a Deus, todos os dias, a sorte de ser Pai de duas crianças tão extraordinárias.

O Gonçalo, implacável ponta de lança, uma criança espertíssima e espantosa que me maravilha com o seu coração imenso, o seu olhar malandro, a sua vivacidade, curiosidade que é sinal de inteligência, tremenda inteligência emocional, instinto de Amor em estado puro!

A Mafalda, super aluna, coreografa de danças à frente ao espelho (“Ò pai, estás aí a espreitar não estás?”), aqueles olhinhos de meiguice, aquela forma tão Pai de olhar para dentro, aquele elo única entre as filhas e os pais. Saber que, quando se abraça a mim, está naquele abraço todo o amor que há neste mundo.

Desde que nasceram que temos um ritual nas viagens de carro: eu estendo a mão para o banco de trás e eles agarram-me a mão, à vez, às vezes rindo outras nada dizendo. Eles sabem. Quero aquelas mãos nas minhas, pelas tantas viagens que vamos fazer pela vida fora. Aquelas mãos nas minhas são a vida. Ser Pai faz de mim uma pessoa melhor, a cada dia. 

Hoje, dia do Pai, quero pedir aos leitores do Metro para olharem para os vossos filhos, quando eles não estiverem a ver. Hoje. Olhem para eles, a crescer, a agarrar-se aos dias, a aprender a viver. Não são maravilhosos? São, de certeza.

Se não está agora junto dos seus filhos, pegue no telemóvel e ligue-lhes. Se eles estão aí consigo, dê-lhes um abraço e um beijo, de coração, e diga-lhes como eles são extraordinários. Sim, agora. Os afectos são sempre urgentes.

Saiba o leitor estar sempre à altura desta dádiva que é ser Pai. Saiba desfrutar deste privilégio exigente, desta oportunidade de construir felicidade, num amor incondicional e eterno, saiba estar presente quando isso é imprescindível, e perceba que um Pai ensina, mas só é Pai a sério se souber aprender com os filhos. Não desperdice esta oportunidade de se sentir feliz. E saiba estar grato por ela. 

Parabéns, Pai, está a ir bem. 

 

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80 comentários

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De Anónimo a 22.03.2011 às 17:18

Um texto magnífico e cheio de sentimento (daquele verdadeiro!).
Um texto que deveria ser lido por todos os pais.
Pelos que já se sentem assim, porque é bom amar e demonstrar aos nossos filhos que gostamos deles, e pelos que não se sentem assim (ou pelo menos não o demonstram), para que se lembrem que os seus filhos também precisam de ser amados por eles, PAIS, e que são os pequenos gestos que fazem essa demonstração (tal como dar a mão :) numa viagem).
Um bem haja Pedro, a si e aos seus :)
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De Vera Bernardo a 23.03.2011 às 14:30

Um texto de puxar as lágrimas, parabéns Pedro, tenho a certeza que és um "Pai à maneira". Que inveja eu tenho da Mafalda e do Gonçalo. Tenho um Pai ausente e indiferente, a mim, à minha vida, ao meu amor por ele que foi destruído a pouco e pouco ao longo da minha adolescência...
Hoje sou Mãe há 9 meses e tenho ao meu lado um Pai que já é exemplar para a nossa filha Marina por quem eu já dava a minha vida ainda antes dela nascer. Termos um filho é uma sensação única...é um Amor que não consigo conceber sem ser com uma dedicação de corpo e alma ao crescimento, à aprendizagem, à evolução, à criação de um filho estando sempre, mas sempre presente, aproveitando ao máximo o milagre da Vida.
No dia do Pai digo: Obrigada Mãe!
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De Anita Azevedo a 24.03.2011 às 10:57

Eh pá... UAU!
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De Ana Paula a 24.03.2011 às 12:53

Eu sito exactamente o mesmo .... mas em mãe ;)

Acho que nasci para isto...
Parabéns pelo artigo, muito bem escrito!
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De Alexandra Santos a 24.03.2011 às 12:56

Eh pá é por isto que eu te admiro tanto!!!

Eu adoro este HOMEM!
Beijos
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De sofia dias a 25.03.2011 às 22:09

fiquei sinceramnete comovida a ler este seu texto... perdi o meu pai vitima de cancro recentemente e se houve coisa que desejei esse dia todo foi tê-lo mais uma vez ao pé de mim...era o meu melhor amigo, o meu pilar...continue essa relação que tem com os seus filhos. muitas felicidades é o que lhe desejo!
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De Pedro a 14.04.2011 às 22:41

Só para partilhar contigo... vou ser PAI =) ESPECTÁCULO, já chorei já ri já chorei a rir, LINDO LINDO LINDO... EMOÇÕES AO RUBRO...

Obrigado por partilhares os teus dias e pelas manhas cheias de BOA DISPOSIÇÃO... fazes parte do dia-a-dia.

Para todos os que falam mal (obviamente estão a falar de borla) apenas digo que... TU és um exemplo...tenho dito.

FORTE ABRAÇO

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