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De cada vez que ando de avião, dou comigo a pensar como me parece claramente sobrevalorizado o sonho de tanta miúda - ser hospedeira. Ou comissário de bordo. (Não há o termos hospedeiro?)

É um trabalho chato, presta-se a secas de alguns passageiros, galanteios mais ou menos discretos, mais ou menos boçais, de alguns outros, reclamações, e um desgaste físico que não deve ser de desprezar. Parece-me sempre que uma mulher que tenha sempre sonhado com esse cliché da hospedeira trabalho-maravilha há-de chegar à conclusão, lá nas alturas, que aquilo afinal é uma seca.

O mesmo para os "comissários" de bordo. Que secador: servir refeições, numa farda ridícula (aquilo tem ar de farda, mas é a fingir. Patentes de brincar e assim. É uma farda que quase é de qualquer outra coisa, mas é só aquilo, afinal de contas). Acredito que possa existir algum prazer em viajar com facilidade e ter descontos interessantes ou mesmo borlas nesse capítulo, quando chegam as férias...Mas o suplício do resto do ano não deve compensar.

E ainda por cima, é sempre confrangedor aquele espectáculo da ladainha "senhores passageiros bem vindos a bordo do voo xpto da Tap, membro da star aliance...", seguido da inenarrável tradução para um inglês que não lembra ao Biafra!

Este pessoal que apanhei ontem no voo da Tap, à noite, para Lisboa, era simpatiquíssimo e eficiente, nada a dizer. Mas olhei para aquela malta e pensei: esta coisa de ser aeromoça (adoro o termo!) parece, claramente, um caso de...ai afinal é só isto?

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112 comentários

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De Joana a 06.04.2016 às 21:52

Compreendo e aceito os gostos de todos mas falar mal de um trabalho normal como os outros e com dignidade??
Sou assistente de bordo e adoro o que faço, não troco esta profissão por nada porque para mim é um prazer estar com a "farda ridícula" posta, fazer um sorriso simpático e mostrar aos passageiros que eu estou ali por eles e para os servir. Gosto de estar dentro de um avião e podia viver até lá dentro.
Falo bem da profissão que gosto e não ando a falar mal das outras profissões.
;)
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De Rafael a 31.07.2016 às 15:41

Olá! Concordo a... 90 %.
Trabalhei como comissário de bordo na Orbest em 2012 e, na generalidade, não gostei da experiência. Aquilo é uma máfia no sentido em que os abusos verbais (disfarçados de hierarquia) eram uma constante por parte de algumas aeromoças: a ideia subjacente era "Eu quero, posso e mando, e se pias, reporto de ti!", claro que isto nunca era dito mas era sempre subentendido. E quem levava avaliações negativas corria o risco de não voltar a ser chamado. Quem tinha uma relação de maior proximidade com o chefe dos cabineiros ou a chefe de cabine sabia que podia ter um discurso abusivo com membros da tripulação que lá estivessem a menos tempo. Havia pouca entreajuda (entre homens havia mais felizmente!). O objectivo era mostrar que se sabia mais que o outro, corrigir o outro ou entalar aquele que era menos popular. Nas estadias, quem não tivesse constantemente (exceptuando a hora de dormir) com o resto da tripulação era imediatamente classificado de anti-social. O sistema de avaliações, em que os próprios assistentes de bordo se avaliavam uns aos outros, levava a que, de um modo geral, quem fosse novo na companhia (e como tal menos popular), tinha maior hipótese de ser pior classificado.
Em relação a viajar, além de estar sobre valorizado pois não passa de uma necessidade em ter um pano de fundo para as fotos do facebook (Olhem para mim! Vejam as minhas fotos! Gostem de mim! Eu sou importante!) os locais para onde se viaja essencialmente são os do turismo de plástico.
Mas nem tudo está perdido! Se forem umas cabecinhas semi-ocas e superficiais garanto-vos que vão adorar a profissão de hospedeira: Irão tratar qualquer recém-conhecido/a como amigos dos bancos da escola. Irão passar 12 horas por dia na praia. Vão gostar de Cancun, Punta Cana, Maiorcas e afins porque é "paradisíaco". Vão chamar amigas/os a pessoas que com o passar do tempo, serão apenas meros contactos do facebook. Nas estadias vão gastar o vencimento todo a comprar cremes e outros produtos de beleza num qualquer Wallmart que haja por perto. Vão acordar ao meio-dia... Vão falar mal dos colegas que não estiverem presentes. Vão competir uns com os outros em ver quem despacha os serviços mais rápido. vâo aprender a transformar as faces em panquecas de maquilhagem. Vão tirar fotos para o facebook...
À volta de 90 % dos assistentes de bordo encaixam perfeitamente no capítulo anterior. Os outros 10 % são a excepção à regra! Há uns tantos altruístas que se desdobram para ajudar os colegas, COOPERAR, tornar o serviço mais suportável, explicar algo a um colega (sem ser para fazer fogo de vista perante o comandante ou a chefe de cabine).
A minha profissão agora é outra completamente diferente: trabalho com filmes antigos Super 8 por isso, ao contrário dos ex-colegas que partilham a minha opinião e que lá continuam, ninguém tem a possibilidade de me prejudicar profissionalmente por eu ter dado a minha opinião (algo que não aconteceria se fosse ainda tripulante de uma companhia aérea portuguesa)
Além disso, ganho mais, descanso mais e o rendimento é mais estável.

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De Maria a 15.08.2018 às 09:13

De facto, e já passado tanto tempo desde que foi escrito este post é deveras engraçado o que é dito há já 8 anos. Além da formação dada são necessários pré-requisitos que nem todas as pessoas possuem. Cada sessão é eliminatória. Desde a altura, o teste das linguas, as entrevistas, os exames médicos... As ditas dores de ouvidos, como mencionou a Sónia, não são simples dores de ouvidos (para não me estender procure na net o que são Barotraumatismos ;)). Após termos a confirmação de entrada o curso inicia um todo de alterações: novos colegas, novas regras..um novo tudo. Apos teoria inicial há a parte prática..Para ques tinha o sonho é ver o inicial da parte prática do serviço. Depois vem a parte da resistência e a mais importante para todos nós, e a razão porque lá estamos: resistência e gestão de stress em caso de emergência (seja de amaragem, aterragem forçada ou uma situanção básica de emergência médica - sempre precedida pelo pedido de apoio médico). Conforme ja referenciado por várias pessoas lá estamos, unica e exclusivamente, pela segurança dos passageiros. O serviço de cabine é uma cortesia. Na TAP é gratuito na Ryan Air é pago. Quem não lida com clientes talvez seja complicado perceber de onde "terá" (eventualmente) que surgir a simpatia: para uns ela advem naturalmente para outros é necessário e ainda para um terceiro grupo ela cola e cresce. São muitas pessoas todos os dias, os colegas raramente são os mesmos. Não é uma profissão fácil mas é extremamente gratificante quando no fim do voo sorrimos e recebemos de volta um sorriso e um obrigado. Não é apenas peguir nas nossas coisas e ir embora.. Há também a gestão de tempo familiar que por vezes é complicada, há turnos, ou melhor, não há horários fixos devido a inúmeros factores. Eu já fui tripulante e por motivos de saúde tive que deixar de voar, com muita tristeza minha. Quando entrei já era mãe. Dor de corno e falar sobre o que não se sabe é muito feio. Não falo das profissões, neste caso do Pedro porque da Sónia não sei qual é (apenas vizinha duma colega de profissão), porque não conheço a fundo.
Bom feriado...

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