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Do medo.

por PR, em 05.04.20

edwin-hooper-Q8m8cLkryeo-unsplash.jpgPor enquanto, é o medo. O que há-de ser de nós, como se dizia numa música antiga. Haverá sempre comida? Ou melhor, quando é que vai começar a faltar comida? Atravessaremos tudo, enquanto sociedade, sem que o desespero leve a violência, saque, descontrolo nas ruas, se começar a faltar o essencial a muita gente? Quantas pessoas vão perder o emprego, quantas empresas vão fechar. Quantas pessoas mais vão morrer?
E quantas vão, para cada um de nós, sair dos números das notícias, para nos atingirem no peito, porque vão ser pessoas “nossas”? E quanto tempo mais vai durar isto? Quanto tempo até estar tudo bem? Quanto tempo é a grande pergunta, toda ela cheia de perigos.
Tenho saudades da minha mãe. Tenho saudades do Gonçalo, da Maria e da Mafalda. Tantas. Cada vez mais, a cada dia.
Queria dar um abraço à Filomena. Tenho saudades da minha irmã. Quero ir ver a minha sobrinha marcar um golo e o meu sobrinho ganhar um combate no karaté, mesmo com as cores leoninas. O que é que interessam essas cores...
Tenho saudades das pessoas da rádio. E de estarmos todos na rádio, a trabalhar e na paródia. Tenho saudades de almoçar no Rastilho com o Maisfutebol, ou na Tasca, ali em Pedrouços, em épicos almoços com o meu clã benfiquista.
Foi no último almoço desses, que o nosso amigo Manuel nos avisou para o que aí vinha. Ficámos boquiabertos, podíamos lá imaginar!
Tenho saudades de jantar com amigos cá em casa. Saudades de ir a um concerto.
E as saudades que eu tenho, de viajar com a minha mulher. Ou de apenas fazermos planos para ir. Tenho saudades de ir buscar a Carminho à escola e da alegria dela quando eu chego. Dela a correr para mim, a saudar-me com aquela alegria tão típica dela: “Pai”!
Tenho saudades dos meus sogros, dos meus cunhados, de estarmos todos juntos. Sinto mesmo falta da vidinha de todos os dias. Ir treinar. Ir ao shopping, ao cinema, ao futebol. A um restaurante. Tão simples, e agora tão impossível. Tenho saudades de ir trabalhar com o novo gang que conheci na TVI, e irmos todos almoçar, rindo das dificuldades enquanto petiscamos. E há também a nostalgia das coisas simples e banais, como ir com a família toda cá de casa, em bando, almoçar ao Love it, e estar um dia de sol, e pedirmos, eu e a Rita, um copo de sangria.
Tenho saudades de não termos medo.Todos. Uns dias mais, outros menos, mas todos temos medo.
Seja como for, haverá um depois.
Acredito que todos sairemos disto mais conscientes daquilo que deve ser prioritário no nosso dia a dia. A gostarmos ainda mais uns dos outros. Com a noção do quão preciosos somos, uns para os outros.
E da sorte que temos em termos a vida que tínhamos, até isto.
Sairemos, desta travessia, melhores pessoas: mais generosos, mais tolerantes, mais disponíveis para ouvir o outro e tentar perceber como será “estar nos seus sapatos”. Haverá tempo e vontade para abraçar, para dizer e mostrar que se gosta, que se gosta mesmo, para sarar feridas que estejam abertas, para consolar quem mais precise, e para voltar a ser natural o estar contente. Teremos paz de espírito para nos rirmos outra vez, juntos.
Que venha rápido, que a neura aperta.
Virão dias bons, os melhores, mesmo.
”You may say I’m a dreamer, but i’m not the only one”, como dizia outra música.

(Photo by Edwin Hooper)

 

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Era no tempo...

por PR, em 01.04.20

Amor
Não me dês tanto, não.

Só uma vez ou outra
Prende-me nos teus braços em cruz
E envolve-me na carícia morena e loira do teu amor
E na certeza de paz do teu carinho.

Só uma vez outra…

Poema de José Craveirinha, para a música "Apenas", de Fausto Bordalo Dias.

Entre os caminhos da quarentena, acha-se espaço para reencontros. Com discos, por exemplo. Este eu não ouvia desde o inicio dos anos 90. Recordo quando o vi a primeira vez, o vinil que encontrei na discoteca do CMR, capa com uma etiqueta autocolante de lado, a identificar o seu número de catálogo. Parece que estou a ver o tipo de letra dessas etiquetas, que também catalogaram os Cd's.
Nas madrugadas de noticiários a solo, havia tempo para abrir o olhar e a escuta. Um caminho solitário e nocturno de descoberta que me trouxe coisas que guardo até hoje.
Do Fausto, eu conhecia o icónico "Por este rio acima" e o "Despertar dos Alquimistas", e, mesmo assim, vagamente.
Este disco, chamado "A Preto e Branco", teve em mim profundo impacto. Desde logo porque trazia um doce "Namoro", que eu sabia de cor na voz do Sérgio Godinho, e cuja melodia eu sabia ter sido inventada por Fausto (para um poema do angolano Viriato da Cruz), mas nunca tinha ouvido o próprio Fausto cantar aquilo. A letra, mudada aqui e ali, mais doce, mais africana no balanço das palavras escolhidas, ainda mais rica no apelo à memória de cheiros e calores.
"E a malta gritou, aí Benjamim..."
E depois fui por ali fora. Agora mesmo, apanhou-me de surpresa, no Spotify, numa lista de musica portuguesa que eu tenho, chamada "Tugas para eu cantar", a faixa de abertura do disco "Era no tempo dos Tamarindos".
Mas que maravilha! Que bem que me soube continuar a saber a letra toda, ainda hoje.
É um disco que nunca será visto como a arte maior do Fausto, tal a grandiosidade de outras obras dele. Mas, para mim, vai direto ao coração, com o nostálgico sabor familiar de um tempo que passou, e que foi bom. Lembrei-me daquelas madrugadas, sozinho na rádio, a ouvir música sem parar, enquanto escrevia noticiários numa máquina de escrever, na redacção, com aqueles armários de pesada madeira que eram uma arca do tesouro. Dali vinham incríveis sons completamente desconhecidos para mim, até então.
De Donald Fagen a Tom Verlaine. Tribe Called Quest a Happy Mondays. De Mler If Dada a uma inacreditável Guida de Palma, emigra em Paris de França, que cantava uma coisa que dizia :
"O que é que tu fazes bebé, quando a noite cai? Olhas a novela, ou sais?"
Na voragem da descoberta, cabia um mundo de coisas, oriundas de planetas musicais de sistemas solares que não comunicavam entre si.
Da música que me bateu de frente naquelas noites vem então a África cantada neste disco do Fausto.
Como aqui, o poema de Ernesto Lara Filho, para a música que abre o disco, a tal dos Tamarindos.

Era sempre o mesmo diálogo
Minha mãe:”Chingamin?”
Zenza Niala no chão sorria
Mostrava os dentes de marfim
E respondia
-“Meia-cinco, sinhóra”

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Love. Always.

por PR, em 29.03.20

Quando voltarei a ver três dos meus filhos. A minha mãe. A minha irmã, o meu cunhado e os meus sobrinhos. Quando voltarei a estar com a restante família. Os meus amigos. Os meus colegas? 

O que será que sairá daqui, quando isto passar? E quando vai passar?

Podemos olhar para este período inédito da nossa história como uma oportunidade de crescer, enquanto sociedade? Mas como, se o pessoal continua a ir para a praia todo contente, logo que faz um pouco de sol?

A poluição aliviou. Mas a economia está a ganir de dor. Haverá gente a perder sustento, empresas a fechar. O digital afirma-se como negócio maduro? O streaming de vídeo e áudio cresce como nunca? Mas se não se filmar novo conteudo brevemente, até o streaming vai à vida...E como é que o mercado publicitário, que sustenta o negocio de media, vai viver este angustiante durante e navegar depois no que virá a seguir?

Sobretudo...quantos vão morrer?

O planeta ficou, de súbito, da sua justa dimensão. Ou será melhor dizer que a Humanidade ficou reduzida à sua real expressão: somos todos bastante frágeis e próximos uns dos outros. A China é tão perto como outro sítio qualquer, afinal. África, Europa, Américas, Ásia, tudo é uma coisa só, com nomes diferentes. O Vírus atira-nos isso às trombas de uma maneira cruel e violenta. 

Saibamos, ao menos, aprender com isso. E quem lidera, que esteja à altura das circunstâncias graves em que estamos metidos. 

Claro que nada disto é garantido a 100% ou em todo o lado. Bolsonaro, Trump, Johnson..tragédias entro da grande tragédia. Mas na mesma medida que todos os que apregoam que a eles nada lhes toca, isto é tudo um exagero, que frescura.

O chico-espertismo nunca foi boa prática, só que aqui é potencialmente homicida.

Ainda assim, o mais importante acho que é isto: respeitar o distanciamento social: 

Ficar em casa é um gesto individual que devemos assumir por amor aos nossos. E a toda a humanidade. Love is all we need.

Como sempre.

Permaneçam seguros. 

Vai ficar tudo bem. Demorará, e vai doer durante todo o caminho. Mas vai.

 

 

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Do que anda no ar.

por PR, em 14.03.20

Destaque-covid-19.jpg

São dias de incerteza, dúvida, e medo. 

A Pandemia do Corona Virus leva-nos a uma experiência social inédita. Um vírus que deu a volta ao mundo, mostrando-o tão único e próximo como tantas vezes nos esquecemos que o mundo, efectivamente, é.

Estou em casa com a família, resguardados desse perigo invisível, enquanto acompanhamos as noticias, com doses iguais de preocupação, serenidade e responsabilidade. O que estes dias já nos mostraram, de forma cristalina, é o fio fino que separa as nossas misérias e as nossas mais virtudes. Do pessoal que enche restaurantes, bares, esplanadas aos que antes gozavam com o Covid_19 e agora fazem discursos inspiradores.

Nenhum de nós tem moral para dar lições, o livre arbítrio está aí, como sempre, tão parte da condição humana, como outra coisa qualquer. 

Que esta condição de aflição colectiva nos inspire, nos faça a todos melhorar, que saibamos unir esforços, passar mensagens de cidadania e bem comum como algo maior que o interesse de cada um. 

Contra o egoísmo, o altruísmo.

Que se dê, de uma vez por todas, o aplauso e a ajuda devida e professores, médicos, enfermeiros, técnicos de saúde, farmacêuticos e todos os profissionais que estão na primeira linha do perigo, sem vacilar. Todos têm família, todos têm medo. Mas a lição de coragem que nos dão é inspiradora. 

Saibamos todos ser dignos do seu exemplo e que, quando isto passar, porque vai passar, todos nós possamos sair mais fortes deste horror.

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Foi tudo ontem.

por PR, em 21.08.19

10612761_10204707363662959_6968557252276283241_n.jQuem jogou neste grandioso estádio, no futebol da minha infância, sabe que o melhor guarda-redes de sempre foi um rapaz chamado Abel. Voava para apanhar todos os remates ali ao fundo, entre a parede e uma pedra da calçada que punhamos a fazer de poste. Ele tinha vindo de Angola, tremia de frio mesmo quando já estavamos em Maio e era de um sorriso que nunca esqueci. Neste campo da rua conheci o meu primeiro grande amigo portista, que ia jogar com uma camisola  que parecia oficial (raridade absoluta, à época). Era o Filipe Aleluia. Nunca mais soube dele. Morava no prédio de um miudo chamado Tiago, que morreu, naquele que foi o primeiro embate da minha vida com a morte de alguém que eu conhecia.Nesta praceta havia um senhor, careca e de bigode, que morava numa casa com uma varanda que dava mesmo para a grande área. Às vezes a bola ia lá parar. Umas vezes subíamos, arriscando tudo para continuar o jogo. Outras vezes ele chamava a policia e não havia mais bola para ninguém.Na praceta de Sofala, que na altura era maior do que é hoje, porque, entretanto, aumentaram o espaço para os carros; jogava o Dy, jogava o Filipe dos Óculos, o Tozé do prédio do canto, o Pestana do meu prédio que ficava do outro lado da rua, o Barrocal que mandava naquilo tudo, os manos Silvério. O Peiduça, o Mirron, o Miguel que era o irmão mais novo da Susana e que agora é Chef de Cozinha.Naquela calçada aconteceram golos e jogadas que deviam ter sido gravadas. Mas não havia telemoveis, nem internet, nem consolas...por isso passavamos o dia na rua.

Nesta rua.

Eramos Jordão, Carlos Manuel, Gomes bi-bota, João Alves, Chalana, Oliveira, Bento.

Ou Zico, Sócrates, Falcao, Éder, no incrivel verão de 82.

E, muitas vezes, não havia ninguém para jogar, eu saia de casa, levava uma bola e inventava jogos a sério, sozinho, a atacar e defender as duas balizas, horas a fio, neste passeio que aqui vos mostro.

Tudo me parecia tão maior.

O mini-mercado Costa & Teixeira, um baixinho, magrinho de bigode, o outro bonacheirão. O Tebe, que era madeirense e morava por cima dessa loja, onde vendiam garrafas de gasosa que tinham um berlinde dentro.

Esta imagem, na qual tropecei hoje, tem vista para esse lugar mágico, longinquo e aconchegante que é a infância, apesar de alguns fortes pesares, que também os houve.

Mas ali, a jogar à bola, ou hóquei com os sticks Reno dos miudos que jogavam no PA...

Ou simplesmente na conversa, nas escadas de um dos prédios da Praceta...eu fui um miúdo tão mas tão feliz.

Fazer linhas, dois saltos e o resto passos. Muda aos 5 acaba aos 10. Ou quando nos chamarem da janela.

Praceta de Sofala. Maior Estádio do Mundo. ​

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Sweet Sixteen.

por PR, em 25.06.19

Gonçalo....

Quando nem 3 anos tinhas, escrevi-te assim:

Tudo começa com o apocalipse. Esperneia, refila, choraminga. Mas então pego nele, digo-lhe ao ouvido "Vá, o Gonçalo tem que ir dormir. É de noite, os meninos já estão todos a fazer ó-ó. O Noddy já está a fazer ó-ó, e o burro (do Shrek) também já está a fazer o-ó". Ele deita o olhar aos bonecos do Noddy e do Burro, e ri-se daquela maneira dele que é a que ele tem de dizer "sim"... Então encosta a cabecita ao meu ombro, onde encontra o fresquinho aconchegante da fralda de pano, põe a chucha e sossega. É então que o deito...e é sempre o mesmo ritual: ele diz "papá", para se assegurar que eu não me vou logo embora, eu respondo, baixinho, "chiu, 'tá aqui o papá". Ele aninha-se, procura a posição mais confortável na caminha e deixa-se estar. Estou ali 5, 10 minutos até sentir a respiração dele mais profunda e descansada. Quando lhe digo "boa noite meu amor", ele já não ouve, e ainda bem porque pensando bem tudo isto é de uma piroseira que não se encontra nos filmes, só mesmo na vida real. Quando fizeste 5: Temos muitas birras para resolver, e muitas danças a cantar "é a vitória, é a vitória!", de cada vez que um ou outro ganharmos um jogo, seja da bola seja da gotinha azul ou outro qualquer. Muitas brincadeiras de escondidas e apanhadas, de lutas e de animais a rugir. Muitos filmes para ver de mãozinha dada, contigo a dizer-me que tens medo (em algumas cenas) e eu a passar o filme para a frente. Muito leitinho para aquecer no micro-ondas, muitos banhos para salpicar o chão da casa de banho (porque o tubarão e o crocodilo estão à luta na banheira).

A 2 dias de fazeres 6:

David subiu no terreno, pela direita, entrou na área e disparou. Sabin ainda defendeu o remate potente, mas a bola foi ao poste e sobrou para Gonçalo Ribeiro, el matador. Gonçalo tentou primeiro com o joelho, mas só quando acertou em cheio com o seu pé esquerdo (já apelidado justamente de golden left foot) na bola,  é que esta passou o risco de baliza, fazendo explodir a festa. Gonçalo foi abraçado pelos colegas, vitoriado de forma especial por ser dos mais pequeninos em campo e ter acabado de marcar um golo que colocou a sua equipa na frente do marcador. Ele só faz anos na 5ª Feira, mas a forma como olhou para o papá babado, que o aplaudia da linha lateral, mostrou que esta tinha sido uma grande presente antecipado. À saída do treino, todo feliz: "Papá viste o meu golo?" Vi filho, vi e não percebo como é que isso não está a abrir os noticiários das televisões.

Quando ias fazer 7:

Uma criança espantosa que me maravilha todos os dias com o seu coração imenso, o seu olhar esperto, a sua vivacidade, curiosidade que é sinal de inteligência, tremenda inteligência emocional, instinto. O seu amor em estado puro!

Ao fazeres 10:

O Gonçalo e o Lego, um artista. O Gonçalo e os seus jogos, da playstation ao berlinde. O Gonçalo e o folhado de salsicha quando vamos buscar a Mafalda. O Gonçalo e o "Ò pai ela é tão linda que só dá vontade de estar sempre a apertar", quando vamos ver a Maria. O Gonçalo que acordava de noite a chamar, com os seus medos, e agora já dorme descansado. Mas ainda hoje não gosta nada de estar sozinho, e um corredor escuro é um corredor escuro. Acende a luz, Gonçalo. E ele acende, e sorri, malandro.  O Gonçalo que me topa estados de alma a léguas, mesmo que eu disfarce muito. Que me dá a mão no carro, sempre que estico a minha para o banco de trás, à procura, como fazemos desde o principio. O Gonçalinho que é um esquisito com a comida, mas noutro dia provou queijo da serra e gostou. Que se pela por pão de ló, pizza, só gosta de leite sem nada, disney channel, Selena Gomez, o programa das Fugas da prisão, aquela cena do UP e a lenga-lenga na ponta da língua: "Meu nome é Russel, e sou um explorador da natureza..."

Quando fizeste 12 anos:

Tem medo do escuro, quando tem tanta luz em si. Um sonhador, um devorador de informação à sua volta, um cusco de primeira, um ponta de lança que sabe que é franzino, mas luta, tem a garra dos maus perdedores e a doçura dos românticos.

E 13:

Sensível nos afectos todos, é um sonhador e tem alma de poeta. O Gonçalo faz anos. Quando ele nasceu...que alegria: um filho rapaz. Pela vida fora, um companheiro único, confidente, espelho e revelação, promessa de um homem como os valores certos, um rapaz extraordinário.

E hoje, 16:

Gonçalo, eu lembro-me bem de quando tinha 16 anos. Foi no pré-histórico ano de 1987, e foi um daqueles anos realmente marcantes, tanto que, hoje, tantos anos depois, eu lembro-me mesmo bem. Fui ali ver aquela espécie de diário que eu matinha na altura, e ao ler-me, li-te. A sério: vou mostrar-te o que ali está e tu vais ver que vais reconhecer-te, tenho a certeza.

Com uma vantagem, à partida: quem tem os 16 anos, ao dia de hoje, és tu. Meu Deus, nem tu imaginas a quantidades de possibilidades incríveis de se ter 16 anos. Nada temas. A angustia adolescente, aquela melacoliazinha sempre a pairar, o não saber o que se quer fazer da vida, a timidez com as miúdas, a capacidade de sonhar sempre ligada, aquela sensação de que os mais velhos não estão bem a ver a tua cena, às vezes.

Sabes que tenho um orgulho enorme no rapaz que és. Tenho mesmo. Tens carácter. É o mais importante , neste PREC (vai ao google) na tua vida. 

Parabéns, Gonças. Nem imaginas o feliz que estou neste dia. Por ti e por nós, que construimos o nosso próprio universo particular, e sabemos como ele é vasto e cheio de boas aventuras para viver, que 1987 é quando um homem quiser. 16 anos, lembro-me tão bem. 

É bom, vai ser melhor ainda, avança sem medos. Estou aqui sempre. Vai, miúdo.

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Sempre.

por PR, em 25.04.19

25 de Abril é um dia tão bonito.

Infantil e sonhador. Limpo e radioso de esperança.

Uma promessa ingénua. Um sorriso só.

Uma falta de preparação para todos os dias que se seguiriam. 

Uma coisa átomo. Uma quimera que não sabia.

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Rio. Lindo. Cão.

por PR, em 27.03.19

Rio.jpg

Em criança, eu já tinha tudo cães. Um rafeiro chamado Bell (por causa dos desenhos animados Bell e Sebastião) e uma cadela Serra da Estrela, que passava temporada lá em casa,  de vez em quando, e se chamava Laica.

Eu tinha a memória do cheiro , do toque, da alegria única de um cão ao ver os donos a chegar a casa. Mas, na minha vida adulta, só agora, com 48 anos, é que tenho um cão. O Rio está connosco faz para a semana um ano, é um golden de revista, lindo e pateta como são os cachorros. 

Ontem, como acontece sempre que ele percebe que estamos a chegar, fui recebido com o som, alegre e ansioso, do seu ladrar. E lá estive um bocado no jardim, a brincar com ele. Dou comigo a pensar que o Rio; é assim que se chama o nosso cão, faz parte do nosso universo de uma forma definitiva. Parece que sempre fez parte. 

E os cães têm realmente uma forma de se entregarem à relação com as famílias de que fazem parte que é encantadora, de cumplicidade incondicional, de perceberem estados de alma, de forma silenciosa ou mais espalhafatosa, e de serem, de repente, essenciais e preciosos no nosso dia a dia. 

O Rio é uma alegria, menos quando destrói mais qualquer coisa que apanha ali à pata de semear. É um cão espectacular e tenho a certeza que veio dar-nos, a todos, muito, e que as crianças lá de casa também aprendem com este canino irmão que têm, tornando a sua infância mais rica e completa. Como faço questão de lhe dizer, todos os dias: Rio. Lindo. Cão. 

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40 anos da Comercial.

por PR, em 14.01.19

 

E eu nesta casa há 26.

 

 

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Rádio Comercial, 40 anos.

por PR, em 10.01.19

A Comercial faz este ano 40 anos. E inaugura hoje um mini site, dedicado às memórias destas quatro décadas. Conversas com protagonistas de hoje e de outros tempos da Sampaio e Pina, imagens antigas, sons que ficaram para a história. Vai encontrar tudo isto neste mini site, que continuaremos a alimentar de novo conteúdo até 12 de Março, o dia do aniversário. De João David Nunes a Vasco Palmeirim, de Fernando Alvim a Rui Morisson, de Rui Pego a Vanda Miranda, de César Mourão a Miguel Cruz, de Ricardo Araújo Pereira a Filomena Crespo, de Nuno Markl a António Macedo, de Cristina Ferrão a Joana Azevedo, de Júlio Isidro a Margarida Pinto Correia, de Diogo Beja a Herman José...

Muitas memórias para descobrir neste trabalho da nossa equipa digital e de vídeo e claro da equipa da antena da nossa querida rádio, que chega a quarentona em 1º lugar nas audiências.

cadeiras.jpg

Estão todos convidados a testemunhar esta magia que está no ar, em casa, no carro e em todo o lado, há 40 anos!

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