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Feliz Natal.

por PR, em 19.11.18

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Hoje, ao regressar à corrida, mergulhei numa lista no Spotify, que me devolveu uma das minhas grandes pancas, enquanto adolescente devorador de música: os maxi-singles. 

Em 12 polegadas, um single ganhava nova vida. E calhou-me hoje, logo para começar, o incrível Dance Little Sister, do Terence Trent D’Arby. Um monumento funk, que nesta versão mais longa, ganha laivos de James Brown, e, com os falsos finais que tem, eleva a música para um patamar de surpresa e gozo, que me fizeram feliz. Como quando ia à Caixa da Música, em Santo Amaro ou as lojas de discos que havia nas Palmeiras, ou uma que fugazmente existiu ao pé da Igreja, na central Cândido dos Reis, da Oeiras da minha adolescência. 

Que viagem! 

Ainda hoje tenho lendários maxi-singles: o Let’s Work do Mick Jagger, com o envolvente Catch as Catch Can, no lado B. Ou o histórico Inventor, dos Heróis do Mar, o genial What Have I Done to Deserve This, dos Pet Shop Boys com Dusty Springfield, e com a pérola New Life, no lado B...

Música Doze polegadas, tantos anos depois: tão bom. 

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...

por PR, em 20.08.18

Lembramo-nos de coisas pequenas. A unha de leão ao pescoço, com ouro na ponta. Os livros que guardavas na gaveta da mesa de cabeceira e que eu espreitava, às vezes.  A mania do café com cheirinho. Aquele fato de treino verde com riscas amarelas. As raquetes wilson de madeira. Sair da Luz 15 minutos antes, por causa do trânsito. As garrafas de vinho Lagoa, com estrelinhas gravadas no gargalo. A voz de trovão. Tu a fumares. Visitas-me em sonhos, muitas vezes, e está bem assim.

Uma pessoa lembra-se de coisas destas, pequenas. O resto é uma rua escura, que se evita. 

Terias 80, desde ontem. 

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Pouca Terra.

por PR, em 07.08.18

Olhando para trás, há pelo menos três clamorosos crimes contra o interesse nacional, cometidos desde a loucura dos fundos comunitários, em anos 80 e 90 de desvario e euforia: a Agricultura arrasada em nome da PAC, a Floresta vergada ao vicio ganancioso do Eucalipto...e o abandono escandaloso do Caminho de Ferro.

Num país que construiu um Aeroporto que recebe um voo de 3 em 3 meses, o abandono compulsivo e desmazelado de estações e linhas de comboio, foi acompanhado, até hoje, pela não renovação das vias que foram sobrevivendo e do próprio material circulante. 

Actualmente o caminho de ferro é, em Portugal, uma ruína. Cada vez há menos comboios a circular, o Alfa Pendular anda hoje mais devagar do que quando foi inaugurado o serviço. A linha de Cascais, que utilizei durante mais de 20 anos, é hoje um serviço feito com carruagens velhas e grafitadas, as mesmas ao serviço desde que eu era miúdo. As estações abandonadas nas Linhas do Interior do país são uma dor, um incentivo ao vandalismo e um elogio à falta de cuidado com aquilo que é de todos. 

 

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Olhos nos olhos.

por PR, em 28.06.18

 

Somos todos só pessoas.

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Do nojo.

por PR, em 20.06.18

O que está a acontecer na fronteira entre o México e os Estados Unidos, com a separação de crianças das suas famílias, numa triagem desumana, mostra que a fantasia de Handmaid's Tale é, talvez, premonitória. 

Os Estados Unidos são hoje um regime racista e xenófobo, que despreza o mero conceito de direitos humanos, estando agora ao lado do Irão, Coreia do Norte e Eritreia como únicos países fora do Conselho da ONU para os Direitos Humanos

A administração Trump é repugnante. E o silêncio conivente das democracias do mundo civilizado é um insulto diário.

Ver, e sentir asco.

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Histórico,

por PR, em 12.06.18

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Mas a imagem tem sempre qualquer coisa de inquietante, não é? 

 

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O imperativo do pensar.

por PR, em 29.05.18

A discussão sobre a Eutanásia perde quando, como sempre acontece, se transforma numa batalha ideológica. Quando se entra no automatismo: votas à direita és contra, votas à esquerda és a favor. E não aceitas debater nada com a outra parte, que passa a ser do inimigo, a não ter nem princípios nem carácter, num sectarismo bacoco que é deprimente. Este tema mostra que muitas das coisas mais importantes da vida não são lineares, não há só branco e preto. Assumir que a resposta a questões existenciais como esta deve ser procurada nos programas e propaganda dos partidos é só a negação de um outro direito, mas também dever fundamental: o de cada um ser capaz de pensar pela sua cabeça.

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O o-ó

por PR, em 02.05.18

Carminho,

 

Tu estavas podre do dia da escola, e do cansaço que deve vir da excitação diária dos ensaios dessa coisa nova e espectacular que será, um destes dias, andar.

Hoje tive toda a paciência do mundo, pegue em ti, fui deitar-te, e fiquei ali ao teu lado, pus uma musica de embalar com piano suave, e esperarei que adormecesses. Não te deitei, fiz uma festa e disse: "Deita, faz o-ó" e vim para a sala.

Não. Hoje fiquei ali, ao pé de ti, com toda a paz de espirito do mundo, toda a vontade de desfrutar cada segundo, e guardar este momento só para nós, para sempre.

Fiz-te festinhas, passei a mão pela tua cabeça, tu sorriste umas vezes, levantaste o pescoço outras, mas suavemente fui dizendo "deita, faz o-ó", e tu deitavas a cabeça, na tua caminha, e ali ficámos. Não sei quanto tempo passou, mas sei que já tu dormias há que tempos e eu fiquei ali, só a ver-te dormir. A pensar como é uma sorte imensa, neste confuso mundo sempre a correr e a gritar qualquer coisa, estarmos ali os dois, um rumor da tua descansada respiração, o piano a tocar no telefone, baixinho, e eu a despedir-me de ti "boa noite, meu amor, até amanhã".

Tão, mas tão bom. 

 

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Dias assim.

por PR, em 23.04.18

Temos um cão na família. Já não ladra a noite toda. É lindo, um bébe de pêlo. A Maria tem pesadelos com aranhas, e depois, durante o dia, é uma valente, a andar no corredor, deitada em cima do skate do Francisco. O Gonçalo já cortava aquela trunfa. A Mafalda tem o telefone todo escafiado. O Miguel tem de ter cuidado para não fazer com que os seus pontapés à CR7 levem a bola para o vizinho. Outra vez. 

Estou a escrever um romance. Sai até ao fim do ano. E outro livro, de bola, que também há de ver a Luz, antes do fim do ano. 

Temos um cão na família. Xixis e cocós para limpar, felizmente só os dele. Na rádio estamos com a cabeça no futuro, está a ser muito giro. E vai ser ainda mais. 

 

 

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