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Vida de Cão. 20 anos.

por PR, em 08.10.17

O Homem que Mordeu o Cão faz 20 anos, e o Nuno juntou todo o universo da rubrica numa noite de Coliseu dos Recreios. A sala encheu para mergulhar no planeta Markl, e foi emocionante esse cruzamento de memórias, entre o publico e nós todos, que, de alguma forma, fomos tocados por este marco na história da rádio. Uma rubrica de rádio que atinge 20 anos, embora não seguidos, e que dá origem a não sei quantos livros, e que se mantém naquele patamar único das coisas que já foram muito importantes para as pessoas e que ainda o são. È antigo e é novo, ao mesmo tempo. Tem 20 anos e habita no tempo presente, como se não tivesse passado algum.

Para mim, que estive na génese da coisa e estou ali, diariamente, com o Nuno, foi especialmente tocante. Foi impossível não pôr em perspectiva estes 20 anos, e o tempo todo de amizade com o Nuno, que começou bem antes daquele 6 de Outubro de 97. 

E, de repente, estamos nos bastidores, á conversa, a Lamy, os Cebola Mol, o Bruno, o Ricardo, a Maria.E temos os testemunhos, em video, porque não puderam ir lá, do Malato e da Vanda. E depois aquilo tudo é um melting pot de memórias cruzadas, fases tão diferentes do nosso trabalho e da realidade de cada um, que parece uma reunião de antigos alunos. Sort of.

E a lembrança do programa de televisão que fizemos, das temporadas no Vilaret, a digressão pelo país a fazer o espectáculo, aquela tarde em que ouvimos aquilo em que tinham transformado a nossa rádio, nunca mais me esqueço, eu, o Nuno e a Maria, a ouvir a Comercial, no Algarve, os olhos molhados de tristeza e revolta. 

E lembro-me de quando o Gimba fez o videoclip com o genérico, e quando começámos a perceber, nos primeiros tempos da internet, que aquilo era uma rubrica de culto e que era especial. Como foi, Como é.

Esta noite de Coliseu, teve tudo o que o Nuno é: génio e desatento. Sem medida e metódico ao mesmo tempo. Um miúdo e, ao mesmo tempo, um senhor. Aqueles olhos a brilhar, tão contente, tão bom de ver, tão especial estar ali, ao seu lado, quando antes, como sempre.

O Nuno é uma das melhores pessoas que há. E merece tudo de bom. O que aconteceu na sexta-feira foi, por isso, especialmente emocionante. Porque foi justo e aconteceu no tempo presente. Não foi preciso uma homenagem de carreira, um especial daqui a muitos anos do género "lembra-se deste senhor?".

Não. Foi quando teve de ser, com a lava a borbulhar ainda, num rio incandescente e bem vivo de criatividade.

20 anos de Homem que Mordeu o Cão. Parabéns, Nuno.

E obrigado por tudo. Até amanhã, no estúdio, outra vez.

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