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Dos 24 de Dezembro.

por PR, em 24.12.15

O que eu lembro melhor é que, no Natal, éramos muitos. Os meus pais, a minha irmã,a minha avó, os meus tios e primos. os tios e primos deles. Uma casa pequena, que depois ganhou um sótão e uma escada de caracol. Havia presentes a encher o pequeno corredor até à cozinha, e esse corredor, que hoje demoraria dois ou três passos a percorrer, parecia-me enorme. Tenho aquela imagem viva na memória, aquela luz do monte de embrulhos de papel colorido, revelados aos nossos olhos, depois do meu tio bater na porta da sala á meia noite. Era o Pai Natal. O nosso Pai natal da infância é o meu Tio Artur, que amanhã receberei em minha casa, tantos anos depois, tão bom. O que eu lembro é o jogo do Futegolo, sucedâneo tuga do Subbuteo. Lembro-me de uma bola de futebol, que depois levei para a escola, tão contente. Lembro-me dos LP´s que depois ouvia sem parar, nos dias seguintes, a aprender as letras todas. Depois houve um ano em que não fomos porque se decretou que não havia Natal. passei a noite de 24 na sala, no escuro, phones nos ouvidos, com o "Alchemy" dos Dire Straits de uma ponta à outra. Depois houve um ano em que o meu Pai ficou em casa. Depois já eu e os meus primos tínhamos as nossas casas e a vida levou-nos para Natais diferentes, outros montes de presentes, outros cenários e latitudes.

O que eu me lembro também é da árvore de Natal ser um pinheiro natural, havia aos montes à venda nas ruas. Ainda bem que isso mudou, que estupidez abater árvores assim todos os anos, que em Janeiro enchiam os contentores. Lembro-me do cheiro da caruma na sala. Do encantamento das luzinhas, reflectindo nas cores das bolas de plástico. Lembro-me de um Natal no Algueirão. Outro ali ao pé da Avenida do Brasil, noutros tios e primos, longínquos até hoje. Uns embrulhos numa chaminé, um pijama encarnado às riscas.

Lembro-me do Pai Natal nas ruas, ali no Rossio e nos Restauradores, e de eu ter medo dele. Há uma fotografia a preto e branco que comprova esse irracional e infantil receio. 

O Natal de quando eu era a criança que os meus filhos são hoje. E a certeza de que o deles é melhor que os meus em muita coisa, mas talvez lhe falte a inocência de nos encantarmos muito mais com muito menos.

Feliz Natal a todos, mesmo os que vão passar a consoada a ouvir música, sozinhos algures. Há sempre mais e melhores natais à vossa frente. Acreditem, já lá estive. 

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2 comentários

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De Ana Filipa a 25.12.2015 às 11:08

Há muitos anos que te oiço - desde o tempo do Malato e Vasconcelos (e antes era uma outra animadora cujo nome não me lembro) - e gosto muito de ti. Agora identifiquei-me com os álbuns e brinquedos de rapaz, porque tenho dois irmãos com idades próximas da tua. Eu tenho 47. Passo parte do 24 sem família desde este ano, por escolha própria. Mas já tive Natais maravilhosos. Infelizmente, acabaram (coincidiram com o fim da minha mãe).
Bom Natal e um 2016 feliz (o meu continuará a ser ouvir-vos todas as manhãs].
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De Isa Sena a 27.12.2015 às 11:32

Feliz Natal, sempre.

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