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A amostra sazonal.

por PR, em 20.12.17

Um dos principais obstáculos que se colocam à eficácia da Rádio em Portugal e à credibilidade desta área de consumo de media, é, hoje mais do que nunca, a forma como são apuradas as audiências. Hoje, ao ser confrontado com aquela coisa das memórias do facebook, dei por mim a confirmar que as audiências de Dezembro, que sairão mais logo, são sempre más para a Comercial. Sempre. Como as duas primeiras de cada ano são sempre boas. E isto acontece independentemente daquilo que aconteça na programação. "É um problema da amostra", explicam-me, sem luta.

Mas não pode ser. Há aqui um problema de credibilidade que afecta todos os operadores. 

E agora isto é um problema ainda mais gritante, numa altura em que existem indicadores exactos de medição do consumo de rádio e alcance das marcas de Rádio: a escuta on-line é de consumo, não é volátil como a resposta de uma amostra misteriosa à pergunta feita por telefone "Que rádio ouviu ontem?". A escuta on-line é uma leitura de consumo. O numero de seguidores nas redes sociais é outro indicador que é possível medir, embora aqui com imperfeições. 

Mas a audiência, apresentada a cada dois meses pela marketest, continua a ser calculada através de um método antiquado e cheio de falhas. Escrevo isto quando a Comercial é líder, e sem saber o que as Audiências de hoje trarão.

Mas esta coisa das memórias do facebook mostra-me que devo esperar o pior. Correu mal em 2014, 2015, 2016. Como correu bem nas primeiras vagas de cada ano. E isso mostra aqui um padrão, que não tem a ver com, programação. É assim, pronto. Como se cada vaga de audiências fosse tivesse um preset, uma tendência à partida que só pode ser explicada pela frase "É a amostra de Dezembro", por oposição à "amostra de Maio" ou outra qualquer.  

O cumprimento das quotas das idades, dentro da amostra usada, é sempre difícil, cada entrevista telefónica é longa e leva à desistência ou a respostas sem grande critério, só para despachar a coisa. E esta reflexão devia juntar operadores e a própria marketest, para lá de quem está em primeiro ou não, em cada vaga. 

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1 comentário

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De urreivainu a 26.12.2017 às 11:38

Tens razão. Há coisas que pararam no tempo. O voto, por exemplo. Votamos num sistema típico do século XIX. Só podemos votar presencialmente na freguesia em que estamos inscritos e numa assembleia de voto específica (à exceções mas implicam o voto tão antecipado que se vota antes da campanha com tudo o que isso implica. E é um processo burocrático....). Quando já tratamos da nossa vida nas finanças, na segurança social,nas conservatórias, nos bancos etc, etc, a partir de casa, porque é que para votar regredimos 2 séculos? É por uma questão de segurança? Bolas então e o homebanking? Depois é assistir às análises da abstenção que nunca referem esta questão. É claro que se está um dia chuvoso as pessoas ficam em casa. Há quem esteja a viajar. Há quem esteja deslocado e não vá fazer dezenas ou centenas de kms para votar. Há os doentes. Há as pessoas que tem que marcar férias do ano até 31 de Março e depois vêem as eleições cair no seu período de férias.... Há que esteja a trabalhar no estrangeiro que hoje, pelas regras da UE, já não é uma imigração formal, é como estar a trabalhar numa região do próprio país....

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