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Uma canção.

por PR, em 15.05.17

 

Foi uma vitória de uma canção e um interprete que se destacavam, pela serena diferença, de um mundo de canções e visuais pindéricos e bimbos, como costuma ser o Festival Eurovisão. A canção, delicada e sábia, e a figura frágil mas de sentidos bem despertos do Salvador, aquele elo fraterno que envolve toda a música, na união daqueles dois irmãos, tudo faz desta vitória algo único. Gostava que houvesse esta loucura à volta da música, se ela tivesse ficado no costumeiro ultimo lugar, que isto quando se ganha, é sempre de todos. Quando não, menos. Mas, vencendo, Salvador Sobral já terá feito mais do que imagina. Pela música portuguesa. Pelas rádios. Pela critica musical. Por todos os que o insultaram e espalharam pelo fogo fácil da net todo o género de insultos, fake news cheias de maldade e mesquinhez, mas agora batem no peito, inchados de orgulho.

Um português ganhou o Festival. E bem.

 

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"Sou músico. Toco voz."

por PR, em 30.04.17

Frase mítica do homem que deu voz ao "Depois do Adeus" e muito mais.

Está aí um disco de surpreendentes novas versões, em dueto, de canções do grande Paulo de Carvalho. A começar por essa senha de Abril, cantada, e tão bem, com a Marisa Liz.

A "Lisboa, menina e moça", nas vozes de Paulo de Carvalho (que foi quem compôs a música)  e Carlos do Carmo. As abordagens bem conseguidas a outros clássicos, com Camané nos "Putos", Rui Veloso em "10 anos", o surpreendente Diogo Piçarra à altura de "Flor sem tempo", Raquel Tavares e o "Homem das Castanhas", o eterno "Olá, como vais?" com o eterno Tozé Brito, o dueto com o filho, Agir..."Os meninos de Huambo", com António Zambujo, o dueto com o igualmente lendário José Cid em "Nini dos meus 15 anos" ...há muito por onde escolher, num disco que nos devolve canções que ouvia no rádio, em miúdo, em estações escolhidas pela minha mãe e a minha avó, normalmente a Renascença.

Paulo de Carvalho, juntamente com Tozé Brito, Carlos Paião e José Cid, formam parte de um restrito clube de vozes a cantar canções nesse rádio da minha infância, e que ficaram para sempre. O "Gostava de vos ver aqui", agora com a introdução do maravilhoso Nuno Markl, e Ivan Lins com Paulo de Carvalho, ganha uma frescura e uma leveza irresistíveis. 

Estas canções de Paulo de Carvalho, revisitadas em modo século XXI são um bálsamo surpreendente. Não violam a herança, fazem-lhe justiça. Das da música ligeira às aproximações ao fado, mas com casaco de cabedal e brinco, numa originalidade que é hoje extremada pelo filho Agir. Atitude, personalidade forte, carácter, tudo ali está, como antes, como sempre, na voz de Paulo de Carvalho, ao lado de tanta gente tão diferente.

A ouvir com tempo, muitas vezes. 

 

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Jonathan Demme

por PR, em 26.04.17

Obrigado.

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25 de Abril, sempre.

por PR, em 26.04.17

Aquela ingenuidade, aquele sonho de qualquer coisa boa, melhor do que qualquier coisa sonhada antes, uma qualquer coisa boa que ninguém sabia bem o que é, ou poderia ser.  Aquela alegria tão cristalina, o alívio de uma dor ou de uma ausencia de sentir, uma preguiça de questionar, um vício velhaco de denunciar quem pensava e fazia diferente. Um dia de promessas todas juntas, nenhuma concreta, todas da área do sonho e da infância que vive dentro de nós, outra vez a ingenuidade. 

A política, claro, mas em sectores muito limitados da população de um país que, na maioria, ou não sabia ou não queria saber. O dia 25 de Abril é um poema.Revolução com cravos nos canos da espingarda. Uma revolução pensada a prever improvisos, tão portuguesa na sua génese.

O dia, aquela quinta-feira. Mais do que o que se seguiu, mais até do que o romãntico mas já politizado 1º de Maio. No 25 de Abril não havia partidos, Não havia sistema politico. Não havia nada a não ser aquela alegria, aquela esperança, aquela ingenuidade, todo um poema nos rostos das pessoas, fotografadas por Eduardo Gageiro e Alfredo Cunha.

25 de Abril, sempre.

 

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Do sarampo

por PR, em 19.04.17

2017. É incompreensível que se opte por não vacinar um filho. Dada a epidemia, que acaba de matar mais um jovem de 17 anos, esta "opção" de não vacinar, não sei em nome de quê ou de quem, é, basicamente, um crime.

Mas um crime que nasce da proliferação de teorias, vendidas como infalíveis, e que se mostram trágicas. E como parece que é mesmo fácil acreditar numa qualquer fofoca de revista ou notícia que apareça no facebook, de repente tudo o que nos vendem é bom, e ultra natura, e o regresso à purerza original. Não é. 

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Alienação Parental.

por PR, em 18.04.17

E pensar. 

Que as crianças deviam estar sempre à frente de tudo. Que acusar é fácil, mas é, muitas vezes, só um sinal exterior de maldade interior. 

Vale a pena ver, com atenção.

E, sobre o mesmo assunto, ler

 

 

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O mundo do fim do mundo

por PR, em 28.03.17

Os livros de Luis Sepulveda despertaram em mim, há muitos anos, o desejo de ir aquele Chile e aquela Argentina, que ele contava.

E, por estes dias, ando encantado com o que vou vendo, por aqui.

Um dia. 

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Dias de Carminho

por PR, em 17.03.17

Foram dez minutos de parto, uma leveza que combina com o ar que vem encontrar para respirar, no dia a dia. A Carminho chegou em paz, com a serena e pura beleza daquele olhar a espreitar a vida em seu redor.

A Carminho encanta, em cada segundinho destes primeiros dias, irresistível nos seus gestos, todos puro instinto, tudo ali é natureza sem filtro. Têm sido dias cheios, transbordantes de alegria e amor. Os irmãos estão encantados, o pai e a mãe estamos ainda mais, com ela e com todos.

Às vezes, a vida pode mesmo bater certo. Há que agradecer, por cada dia, por cada vez que a Carminho abre os seus olhinhos e parece que nos olha por dentro. De cada vez que as suas pequeninas mãos apertam os nossos dedos, de cada vez que ela esboça um sorriso, de cada vez que ali está, a nossa trouxinha, embrulhada na manta, a reinar sobre todos nós.

São dias de Carminho. E sempre serão, de agora em diante.

 

 

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Born to Run

por PR, em 22.02.17

Uma primeira ideia, assim que acabei de ler esta incrível biografia: é um milagre este homem ter sobrevivido a si mesmo, á sua vertigem pelo lado sombrio, das trevas recalcadas de uma relação áspera com o pai, e cortante com a pobreza gelada dos invernos duros de New Jersey.

Springsteen conta-nos a sua história sem grandes preocupações de gerar uma moral qualquer. É só a sua vida vista por si, e é riquíssima. Com o Rock como fio condutor, está ali o miúdo que sonhava com os Rolling Stones e o homem que, um dia, se tornou amigo e igual aos seus heróis, lado a lado num palco qualquer.

É um livro para fãs mas é para toda a gente, e tem glamour e vida de rockstar em barda, mas também depressão e trevas, como a vida de toda a gente.

O Boss é um de nós, e ainda bem que ultrapassou todas as suas crises. E ainda bem que escreveu canções tão importantes para as nossas próprias vidas. As mortes de quem lhe era tão próximo, o amor da família como pilar da existência, a música como única via possível para a vida lhe fazer sentido. Este livro tem isso tudo e merece uma leitura atenta. As canções ganham, elas próprias, uma nova vida, depois de ler tudo o que aqui está contado e explicado.

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«Honramos os nossos pais quando conservamos na memória o que de melhor tinham e faziam e deixamos o resto para trás. Quando combatemos e controlamos os demónios que os deitaram abaixo e que, agora, habitam em nós»

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Viva a Rádio.

por PR, em 13.02.17

Dia Mundial da Rádio.
A nossa querida Rádio, a de todos, que não é de uma marca só e é de todas. De todos os que a fazem e a ouvem.
Viva a Rádio. Tão mágica, tão única, tão humana, nas suas glórias e fraquezas. Como a vida.
Devo tanta coisa à Rádio que, a cada dia destes, uma palavra acaba por ser maior que todas as outras: obrigado.

 

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