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É chegar a casa, a cada dia. Desligar o carro, desligar o som, abrir a porta. Chegar a casa é maravilhoso.

É quando a bola entra e foi o Gonçalo que a meteu na baliza, aquele instante em que sabes que é definitivo, vai entrar, vai ser golo, e foi ele que marcou. E festejas, tão contente, um golo marcado pela equipa de verde e branco (O Gonçalo joga no Carcavelos).

É aquele momento em que aquela criança de 3 anos que precisa tanto de ti e que te ama tão sem filtro nenhum e com tudo o que é e nem sonha que é, e aquelas mãozinhas acompanham o abraço fechado com umas palmadinhas nas costas. Ela a dizer assim: estou aqui, Pai. E eu aqui, filha, sempre. Meu Amor.

É aquele momento em que estás a ver televisão e olhas para o lado e a tua mulher está ali a ver, também, distraída. Ela a olhar e eu a olhar para ela, aqueles olhos, aquele cabelo, o desenho do perfil do seu rosto, sem ela perceber logo. Há de notar, sorrir e dizer, como só ela: "O que é?"

É tudo, meu Amor, é isso tudo. A outra metade de mim.

É aquele momento em que a tua filha mais velha desabafa namoros, músicas, filmes, novelas, sonhos made in stradivarius e berskhas. É aquela noção de que cada vez é mais raro ela desligar-se do telemóvel. Agora sou eu que lhe peço atenção. Faz parte, não é? A vida a acontecer, o tempo a passar. 

E há também aquele instante em que olhas para um cabelão aos caracóis e o olho azul estonteante e pensas como aquela criança é linda e como a amas como se teu fosse. E é, um bocadinho, à sua maneira. Não cresças mais, peço para dentro, infantil, eu. 

É aquelas vezes todas em que ouves uma súplica sorridente: "Tio, olhe aqui!". E depois faz uma habilidade, uma partida, diz uma graça, e ri-se, outros olhos azuis de filme, 6 anos de gente desengonçada e traquina, a fazer pontaria, sonhando, a brincar e a querer ser visto, elogiado, incentivado, sempre a chamar a atenção para as coisas que sabe fazer:  "Eu um dia marquei trinta golos lá no pàteo!...Não foi nada, estava a brincar!"

É aquele momento em que a tua Mãe te diz como a enches de orgulho, em que a tua irmã te abraça e está tudo onde deixámos, a vida toda, todos os dias das nossas vidas.

É aquele momento em que os teus sobrinhos correm para o teu abraço.

É cada momento em que, fechando o microfone, sentes aquele flash de energia única de fazer rádio e soar-te especialmente bem, de vez em quando. Tão especial, ao fim de tantos anos.

Meu Deus, foi aquele passe de trivela a rasgar uma defesa, noutro dia. Tão bom. Como acabar um treino e pensar como é bom ter conseguido, depois de tanta vertigem de desistência.

É aquela alegria pura de oferecer um presente e sentires, naquele primeiro segundo de qualquer reacção, que acertaste em cheio. Que felicidade!

É jantar com os amigos, conversa pela noite fora, entornados um bocadinho, por vezes.

É aquela certeza, mesmo quando o Verão nos trai e não se cumpre, que o sol firme e o céu azul, estão mesmo dentro de nós e na vidinha a acontecer, se soubermos olhar com atenção.

 

 

 

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9 comentários

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De Bélinha de Cima a 23.06.2015 às 13:55

Como uma vida assim, só há uma coisa a fazer: vivê-la intensamente.
Tão linda, essa vida.
<3
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De K a 23.06.2015 às 19:40

Pedro, obrigada pelos teus posts que (muitos deles) me comovem e me dão um tudo nada, nem que seja só por um bocadinho, de esperança. Obrigada, mesmo! Assim como quando vos ouço, na rádio, a fazer magia e a tocar a vida de tanta gente. Obrigada!
E sim, as pequenas GRANDES coisas são as que nos dão alento, força, para seguirmos com a nossa vida.
Um beijinho e que continues a encher de orgulho a tua mãe e a tua família (nuclear e mais alargada, quando se gosta, há sempre espaço para mais uns). E que todos sejam muito, muito felizes com a vida a dia-a-dia!
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De Elisa a 24.06.2015 às 09:26

Porque depois da tempestade vem a bonança.
Seguir o coração, sempre :)

Keep up!
xxx, ES
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De Marta Sousa e Silva a 24.06.2015 às 09:45

Sempre em lágrimas... mas das boas ;)
Obrigado.
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De Isa Sena a 24.06.2015 às 10:06

"Sol firme e céu azul" a máxima de uma vida toda.
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De Entre Dias a 24.06.2015 às 15:59

Que bem escreves Pedro. :) Ouço-vos todos os dias na Rádio Comercial, obrigada!
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De Odete Ribeiro a 24.06.2015 às 19:27

Mais uma vez muito obrigada meu filho por mais um lindo texto. Continuo a ter muito orgulho em ti, Amo-te muito. Bjs.
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De Ana Marques a 24.06.2015 às 22:25

Que contagiante felicidade. Que maravilha. Parabéns, Pedro.
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De Sandra a 25.06.2015 às 15:27

Tão bom ter uma pequena visão da tua realidade vista pela felicidade do teu olhar. Gosto sempre tanto dos teus textos

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