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A vida não espera.

por PR, em 22.05.13

Não adiar o amor. Uma reconciliação ou uma declaração. Não adiar mais um gesto que seja bom. Não parar na dificuldade, no medo, naquilo que não é o nosso coração a ditar, e que nos atemoriza. Não pôr nada de decisivo dentro de nós à espera tempo demais. Não adiar o viver a vida o melhor que se puder. Dar valor a quem gosta de nós, exercermos essa gratidão com humildade e autenticidade. Não adiar um mergulho no mar, dar as mãos a quem se ama, não dar nada nem ninguém por garantido, não adiar o dia em que se é honesto para sempre, sem trair mais ninguém , a começar por nós próprios. Não adiar o cheio da terra molhada de manhã, o brincar com os filhos, o ralhar-lhes quando é preciso. Não adiar mais aquele telefonema que estamos há que tempos para fazer a uma pessoa de que gostamos, seja qual for a forma desse gostar.

Não adiar o momento de dizer alguém que o amor começou ou acabou. O dizer bom dia. Não adiar nenhum dos lados da vida, porque a vida esgota-se e só Deus sabe o que virá depois, e se.

Hoje morreu o Pai de um meu grande amigo, daqueles de toda a vida; e dei comigo a pensar que passamos demasiado tempo distraídos na nossa bolha da pressa, da falta de tempo, da falta de atenção, da energia desperdiçada no acessório ou no que não interessa mesmo nada e, um dia, acabou. Quase sempre cedo demais, para as contas que fazemos. Viver em pleno é estar à altura dessa bênção, a cada dia. 

Não adiar tudo o que pode fazer de nós melhores e bem aos que nos rodeiam.  Que a vida não espera.

Um enorme abraço ao Pedro e à família neste dia terrível. 

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1 comentário

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De HC a 23.05.2013 às 13:27

O problema é que nos vamos esquecendo...só quando nos acontece algo trágico, é que recordamos novamente a urgência de viver.
Acontecia assim comigo, até ter morrido O meu amigo.
Agora lembro-me tantas e tantas vezes da urgência do amor, da urgência da vida, da urgência de acontecer.
Nunca sabemos se aparece uma curva demasiado apertada, não sabemos se amanhã ainda vamos a tempo...de tudo ou se só teremos um imenso nada.
Talvez, talvez se lermos o teu texto, todos os dias ao acordar, vivamos mesmo em pleno, sem a adiar mais um dia.

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