Interessante o duelo Lidl-Continente, na publicidade.
Aguardo desenvolvimentos, a vários níveis. A ideia da publicidade que mencione marcas adversárias, e destape práticas menos claras, o enquadramento legal desta prática e a forma de lidar com ela parecem-me questões a analisar com cuidado.
Penso nisto em plena época de muito trabalho, incluindo grandes reflexões sobre o caminho que nos aguarda a todos, mais à frente.
Tudo está e vai mudar, mais ou menos depressa, e, nesta altura, já não podemos olhar para os média como fazíamos antes. Tudo é mudança, dos padrões e formas de consumo desses média, às motivações de quem os procura ou deixa de procurar.
Quem trabalha em imprensa, televisão, rádio, trabalha na net. Trabalha num telemóvel. Num PDA. Trabalha para quem liga um computador no aeroporto, no comboio, à beira de uma piscina, numa esplanada, numa biblioteca, num jardim, em casa. Chega sempre a mais gente do que imagina. Trabalha afinal numa multiplicidade de meios, e são, no final, os conteúdos que vão fazer (já fazem) a diferença, no momento do consumidor escolher.
Sendo que, cada vez mais, os média concorrem, de certa maneira, com o próprio consumidor, na medida em que este cria os seus próprios conteúdos.
Neste quadro só vão aguentar-se as marcas que saibam passar a sua proposta de valor específico e único, e as que saibam adaptar-se à nova realidade.
Não chega reformatar, refrescar ciclicamente com maior ou menor profundidade e arrojo, lançar uma campanha de meios tradicionais, focus groups, estudos de mercado feitos de tempos a tempos, quando o orçamento é mais folgado. É curto.
Não vale a pena deprimir e sublinhar que a vida é injusta. Numa época de revolução dos média, parece-me que, quem trabalha nesta área, tem o dever de tentar ver bem à sua volta, estudar tendências, procurar sempre criatividade, sabendo que é um meio de pessoas para pessoas, e que, sem talento, não há hipótese. E que esse esforço, e só esse esforço integrado pode levar ao ideal: sermos nós os criadores das novas tendências.
No limite do optimismo, ser A tendência nova. Inovar, satisfazendo desejos que quem consome, nem sabia que tinha. Ir para lá daquilo que já todos sabem. E conseguir convencer quem pode decidir. Junte-se este cenário a um quadro de incerteza e temor, no mercado financeiro. São tempos que têm tanto de difíceis como de apaixonantes.
Isto não tem mais nem menos importância que outra coisa qualquer, é só uma pessoa a reflectir sobre o meio em que trabalha. E a perceber que nem toda a gente percebeu bem o alcance da tal mudança. E que há muito para fazer e tanto em que pensar.
E, como sempre, tudo para aprender, a cada dia.
De Lúcia a 10 de Julho de 2009 às 12:12
Não querendo ser maçuda , mas por vício de profissão e em comentário à parte inicial do teu texto, quando referes: "o duelo Lidl-Continente , na publicidade", gostaria de chamar a atenção para o que estabelece neste domínio o Código da Publicidade:
Artigo 16.º
Publicidade comparativa
1 - É proibida a publicidade que utilize comparações que não se apoiem em características essenciais, afins e objectivamente demonstráveis dos bens ou
serviços ou que os contraponha com outros não similares ou desconhecidos.
2 - O ónus da prova sobre a verdade da publicidade comparativa recai sobre o anunciante."
Pedro não se arranja essa publicidade está fantástica a resposta do continente.
De Meghy a 11 de Julho de 2009 às 00:11
Comentava hoje com um dos maiores génios do direito vivos, o prof. Oliveira Ascensao, a respeito do mundo em que vivemos, que o nosso longo prazo, é já amanhã...
De ana a 13 de Julho de 2009 às 10:55
Tem graça que a mim parece-me que foi o Continente que se picou. Não me pareceu que o Lidl estivesse a atacar o continente, em particular. Já o Jumbo sim. Ataca directamente continente e pingo-doce e por seu lado o pingo-doce picou-se, mas o continente não!!
A Galp picou o Jumbo e o jumbo picado respondeu.
Conclusão1: Os combustiveis Galp são melhores, mas eu consumo Jumbo porque é mais barato e não sinto que este anda a gozar à descarada com o consumidor.
Conclusão2: De um modo geral prefiro pingo-doce a todos os níveis. Acredito que em termos de qualidade/preço o Lidl seja (a par com a marca branca pingo doce) dos melhores.
quanto a consumo, quando estava em Lx quase só comprava continente on-line, apesar dos frescos nesta modalidade serem do pior, o preço dos restantes produtos e a comodidade de te colocarem as compras DENTRO de casa supera tudo... e finalmente... apenas por uma questão logística, hoje em dia só compro Jumbo!!!
PS: A minha "publicidade comparativa" preferida é a do Sapo ADSL com propriedades revitalizantes de downloads ilimitados. Porquê? Porque a malta merece!
bj
De
Tamia a 13 de Julho de 2009 às 11:51
O que me parece é que agora se vai pelo caminho mais fácil que é arranjar algo que já existe e usá-lo:
1) Mediamarkt com os desbloqueadores de conversa - isso tinha um "dono", direitos de autor incluídos, não foi inovação deles. Mas o que é estranho é que é a segunda vez que uma campanha deles sai do ar. Não seria mais simples fazer um estudo de mercado sério antes de as lançar?
2) Lidl vs Continente ou vice-versa - fiquei parva quando ouvi. Então agora para se fazer uma campanha tem de se destruir outros? E a inovação? E a criatividade? E o facto de se pensar em ideias novas? Não sei quem faz, nem sei se é legal, mas é muito estranho. Para mim ficaram os dois a perder. Para mim teve o efeito inverso. Não devo voltar a comprar tão depressa em qualquer uma dessas lojas, mas uma pessoa não faz a diferença e concerteza que não sou eu que mudo alguma coisa.
Gosto da publicidade alegre, bem-disposta e que tenha frases que nós nos lembremos. Coisas que nos fiquem retidas. Isso sim é boa publicidade.
De Susana Martins a 13 de Julho de 2009 às 15:54
Por trabalhar na áreas da comunicação e do marketing, achei este post muito pertinente. Nem tanto pelas questões da concorrência e da publicidade, ou do que está certo ou errado.
Acho fascinante, isso sim, o desafio que é hoje, para todos os que exercemos funções nestas áreas, pensar em formas criativas de comunicar; perceber que o tradicional, por si só, já não chega e encarar o cliente como uma Pessoa e não como um consumidor.
Obrigada, Pedro, uma vez mais, pela forma inteligente com que já nos habituaste a apresentar as tuas temáticas.
De
king a 15 de Julho de 2009 às 14:26
Olá boas a todos-
eu como trabalhador no lidl apenas tenho a dizer que os meus chefes , em especial o chefe de zona , nao se mostra nada preocupado com o tipo de resposta do continente, aliás isto só serve para o consumidor tirar vantagens, ora vejamos, o lidl foi o primeiro a baixar o preço nos bens essenciais, leite arroz massa, o continente náo esteve muito tempo com pé atras, baixou logo os preços.
Depois surge a campanha, k o continente se tocou um bocado, porque lidl e continente nao estao no mesmo ramo, um é hiper e outro super..fiquem bem.
http://gdrcampo.pt.vu/
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