Hoje recordamos isto na Rádio. Um tratado.
Hoje recordamos isto na Rádio. Um tratado.
Não é extraordinário? Eu acho.
Não sei se será mais difícil, mas parece-me mais interessante o resultado da escrita de uma canção de desamor, do que de uma de Amor. No sentido em que uma canção de desamor tem de fazer um esforço ainda maior para não cair no cliché ligeiro e fácil, para entrar naquelas zonas do sentir que só se mostram em canções escritas e cantadas com o coração ao pé da boca. Num mundo de música tantas vezes descartável, o aparecimento do fenómeno global Adele; que há uns anos com o single "Chasing Pavements" já me tinha chamado alguma atenção; com uma dupla de poderosos singles de desamor, destaca-se porque, basicamente, deixa dois clássicos de uma vez, dentro deste género tão difícil.
Músicas que falam de rejeição, desamor e abandono, com uma autenticidade que deve desarmar os mais cínicos, se se derem ao trabalho de ouvir com atenção o que ali é dito e como é cantado, sem truques.
Rolling in the Deep e Someone Like You, são canções que doem, de tão fieis aquilo que todos nós, alguma vez na vida, já sentimos. Aquela dor.
E agora que já se fez sentir a erosão de meses de exposição das músicas em todo lado, eis que as imagens do concerto de Adele no Royal Albert Hall, nos devolvem à essência dessas canções: são escritas e cantadas numa linha directa entre o coração e a voz. E quando ela se desmancha a chorar, no fim do Someone Like You, depois de uma introdução prévia longa demais para ser um improviso escrito ou algo do género (em que ela garante que está tudo bem e tal, mas percebe-se que não está coisa nenhuma), percebe-se que está ali algo raro e precioso, muito para lá da facilidade de um igualmente pop mas infinitamente mais superficial "You're Beautiful" ou "She's the one". O desamor é mais dificil de soar autentico, e uma pessoa quase deseja que a Adele continue a dar com a cabeça nas paredes, porque sabe Deus se conseguirá estar à altura quando chegar a sua vez de ser feliz! :-) Egoísmo de ouvinte, sim; mas também, afinal, o reconhecimento de que está ali uma artista que é humana. Não vai atrás do Barulho das Luzes, vai à procura de luz no fundo do túnel, igual a milhões de fãs, que com ela cantam.
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead
Quem nunca sentiu isto, é porque não viveu nada. :-)
Adele no Royal Albert Hall não é só um grande concerto, é a música com sangue a correr nas veias de cada nota, cada respiração, cada palavra, cada acorde.
A beleza única que vem daquela vertigem de fragilidade, prestes a partir-se toda, a todo o instante. Como na vida.
A partir da próxima 3ªfeira, começa uma Série Especial de Programas, dedicada ao Amor e seus derivados.
As palavras certas, com música igualmente certeira, numa Série da autoria da Joana Azevedo.
A partir de dia 06 Janeiro, e todas as Terças à noite até 14 de Fevereiro.
Estará disponível também em podcast.
Mas curto muito o Ruben Amorim. Acho que é um caso raro de um adepto que tem a possibilidade de vestir a camisola do Benfica, o que faz dele, "um de nós", mas em campo.
E, do pouco que conheço, acho-o bom tipo.
Tenho pena que isto tenha acontecido.
Isto está brutal! Parabéns a quem trabalha na Roca e entra neste vídeo. Boa onda!
Foi bom. Foi mesmo bom.
Tenho de ir trabalhar agora. Mas tenho, sobretudo, sono.