Um dia, contaremos aos netos histórias do tempo em que a Europa tinha uma moeda única, e não era preciso passaporte para viajar de Portugal até à Ucrânia, atravessando toda uma Europa Única.
Essa Europa faleceu, paz à sua alma.
Eu, que sempre acreditei no projecto europeu, com respeito pela idiossincrasias de cada país, claro, mas também com uma noção vasta de pertença, tenho pena É uma tragédia. Faz-me alguma impressão concordar com Sarkozy, mas ele dizia, um destes dias, que a União Europeia é antes de mais uma garantia da Paz no Velho Continente, e eu acho isso também. Claro que ele disse isto no intervalo de mais uma conversa com a Sra. Merkl, a combinar as regras de uma Europa de 1ª,classe clube privado, no eixo Paris-Berlim.
Penso que os cientistas políticos, sociólogos, historiadores, jornalistas, economistas e filósofos têm muito para estudar, daquilo que esta Europa foi, sonhou ser e afinal será, daqui para a frente; quando deixar de ser esta coisa nenhuma que agoniza a cada dia.
Impressiona que, por essa Europa fora, não haja um Líder politico que inspire, mobilize, tenha uma visão humanista e ao mesmo tempo realista, para salvar a ideia da União Europeia. Só temos, em Estrasburgo, Bruxelas e por toda a Europa, políticos amorfos, cinzentos, todos uns iguais aos outros, com um pé na política e outro na alta finança; cada um com o seu altar de adoração à entidade "mercados", politicos que, na sua esmagadora maioria, parecem viver a sonhar com o que vão fazer quando deixarem de ser só políticos. E neste marasmo não vejo nem direita nem esquerda, só uma enorme massa de gente conformada demais. No fundo só há ou espertalhões ou ingénuos.
E depois há os próprios cidadãos. Impassíveis. Numa Europa que nos deu a cultura, a arte, o conhecimento, séculos a fio, agora não há ninguém ao nível dos chefes europeus, que se distinga pela inteligência, capacidade de acção em tempo de crise, rasgo. Não há ninguém que "vire a mesa".
A Europa como a conhecíamos já morreu e ninguém lhe disse.