Foi bom, muito bom.
Há viagens que marcam e ter ido ao Hawai é, seguramente, um caso desses.
Primeiro a lonjura: 2 horas para Londres, 12 para Los Angeles, 6 para Honolulu, e viver quase uma semana com 10 horas de diferença em relação à “minha” hora.
Mas o sítio é especial. Infelizmente não deu par aver a Big Island, nem Maui; mas deu para me deslumbrar com dias de praia em Dezembro, algo inédito para mim.
A cor da água é das lembranças mais marcantes. Sobretudo na Sunset Beach, na costa norte, num dia de campeonato de surf. Deslumbrante.
Foi uma viagem feliz pelo destino em si, pela companhia divertida da Monica Santos, ouvinte da Rádio Comercial no Porto, que ganhou este passatempo; e por dois acontecimentos especiais que testemunhei:
65 anos de Pearl Harbour.
A 7 de Dezembro de 1941, manhã cedo, o Japão lançou uma monumental ofensiva contra a frota de Guerra dos Estados Unidos estacionada, e a essa hora adormecida e vulnerável, em Pearl Harbour. Entre militares e civis morreu mais gente do que por exemplo no 11 de Setembro.
No dia do 65º aniversário daquilo a que a América chama “o dia da infâmia”, encontrei mais japoneses que norte-americanos, na visita ao memorial do USS Arizona, um dos navios de Guerra afundados em Pearl Harbour. Achei isso irónico…
O navio está afundado, tal qual como ficou naquela manhã e ainda hoje larga combustível dos seus depósitos. Construiu-se uma plataforma branca por cima do navio afundado e essa plataforma é, simultaneamente, monumento e cemitério. É que algumas dezenas de corpos de marinheiros da tripulação do navio, nunca foram retirados e jazem ali, até hoje.
Ter estado lá, logo num dia tão especial, e ter conversado com dois veteranos desse dia, que visitavam o memorial, no mesmo horário que eu, foi realmente emocionante. Aqueles homens, a quem todo o militar que passava, saudava com respeito formal, estavam em Pearl Harbour naquela manhã de 1941. Como me disse um deles, que aparece aqui na fotografia, o mais dificil ao longo de todos estes anos foi ter de lidar com a pergunta interior: porque é que não morri também?

Como esta foi, provavelmente, a última reunião de veteranos de Pearl Harbour; uma vez qu quando passarem 70 anos, só devem restar menos de 10 vivos; toda a gente no Hawai esperava que o comandante em chefe das Forças Armadas dos Estados Unidos aparecesse. Bush não apareceu e havia, entre os militares, um evidente desconforto ofendido por causa disso.
Mas ter ido a Pearl Harbour, ainda por cima, num dia tão especial, foi para mim emocionante e inesquecível.

O Concerto.
Foi o melhor concerto que já vi, basicamente. Encerramento da digressão mundial Vertigo, com três horas dos melhores U2 ao vivo. Mas antes, uma banda formada pelos
roddies dos U2, que tocou meia hora, começando numa versao rockeira de
Eleanor Rigby dos Beatles e terminando na homenagem a Joe Ramone com
I Wanna be sedated.
Depois uma hora vertiginosa de Pearl Jam, a que, para mim, só faltou
Black e
Daughter para ser 100% perfeita. Grandes momentos: Better Man, Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town, Even Flow, Alive, e uma versão de um original dos The Who, Baba O'Riley, que fechou a sua actuação de uma hora, em que Eddie Vedder foi supreendido pelo cartaz que já tinha visto há umas semanas no Pavilhão Atlântico e que dizia “Vocês são do c…”
O tuga que empunhava o cartaz vendeu o carro para estar ali! Que gajo incrível!!!!
E depois….U2, inesquecíveis.
Momentos altos: quando Bono vai buscar um espectador à plateia e ele se transforma no pianista da banda, arriscando tocar
Who’s Gonna Ride Your Wild Horses.
A dança do ventre feita por uma gigantesca espectadora, que Bono foi buscar ao público, em
Misterious Ways.
In a Little While e
The First Time, quase sussurrados. A palavra Coexist, juntando graficamente quase toda a fé que pode haver.
The Fly a abrir um dos encores. Brutal.
Bono “fazendo de” Pavarotti em
Miss Sarajevo. A surpresa da aparição de Billy Joe Armstrong, dos Green Day, para cantar com os U2 o imparável
The Saints Are Coming.

A parceria U2/Pearl Jam num surpreendente e inesquecível
Rockin’ in a Free World:
O All I Want is You no final, e a despedida desajeitada de Larry Mullen Jr a fechar o concerto.
Bono mostrou-se em forma como performer, cantor, activista e comunicador; com uma frescura que me surpreendeu, até tendo em conta que era o ultimo de uma cansativa tour mundial. E no final do concerto termos conhecido o Rodrigo Santoro tornou a noite ainda mais surreal.

Voltando ao concerto, foi tão bom que tive pena que o público português não pudesse ter visto. Merecia. E se o publico hawaiano não foi frio, acho que português teria sido ainda mais quente, com um concerto destes.
Eis o alinhamento. Só senti mesmo a falta de
Until the End Of the World e
Walk On. Ver
A Sort of Homecoming ao vivo já é, para mim, uma U2pia.
City of Blinding Lights
Vertigo
Elevation
I Will Follow
I Still Haven’t Found What I'm Looking For
Beautiful Day
Angel of Harlem
Who's Gonna Ride Your Wild Horses
The First Time
Sometimes You Can't Make It On Your Own
Love and Peace
Sunday Bloody Sunday
Bullet The Blue Sky
Miss Sarajevo
Pride (in the Name of Love)
Where the Streets have no Name
One
The Fly
Mysterious Ways
With or Without You
Window in the Skies
The Saints are Coming
Rockin’ in the Free World
All I Want is You
