A Liga portuguesa está a desagregar-se, com os seus corpos sociais a sair, a conta gotas. Os eleitos não tomam posso porque houve uma providência cautelar que o impede.
O processo de investigação do Apito Dourado pode ser anulado por inconstitucionalidade, o que me parece grotesco, do ponto de vista moral. Há escutas, provadas, de dirigentes a pedir árbitros para os seus jogos, rejeitando outros. Isso não foi desmentido por ninguém, é até encarado como "normal" por algumas das pessoas com mais responsabilidades no futebol. As avaliações das arbitragens são uma vergonha. A apresentação de património dos árbitros tarda, o que indicía esturro.
E quando
alguém estranha que os jornais desportivos não estejam na primeira linha da divulgação dos desenvolvimentos do Apito Dourado, o director de um desses jornais, clama, ofendido, que não quer as "sobras dos tribunais" e que está assim defender o futebol. Não percebo. Pensei que defender o futebol passasse por denunciar as trapalhadas e falcatruas que o vão matando aos poucos. Parece que não, defende-lo passa por assobiar para o lado, não mexer na porcaria para não se sujar...Tenho pena porque por acaso o jornal desportivo em causa é aquele que eu prefiro, e o director é o mesmo do grande jornal dos anos 80 que eu, simplesmente idolatrava e que se chamou "off-side". Como é que esse jornal incrível trataria esta matéria....interrogo-me, curioso.
Quando penso no futebol português, penso numa malha de trapalhadas e suspeitas que são o motivo que me leva a ir cada vez menos aos estádios. Para a paixão se manter, tem de se acreditar que aquilo é um jogo e que se joga dentro do campo. Tem de se acreditar que há uma ética de competência e competividade em cada direcção de um clube ou uma SAD e não um "chico-espertismo" vampiresco. Ok, há corrupção no futebol de outros países, a Juventus está na série B, o Marselha perdeu campeonato e taça (pensei que tivesse perdido também a Liga dos Campeões que ganhou em Munique, mas não) por comprovada corrupção na pessoa do seu presidente...
Mas aí...aconteceu alguma coisa. Houve crime provado, corruptos e corruptores identificados, castigos aplicados. O L'Equipe e a Gazzeta dello Sport não se esconderam.
Não percebo, mas o problema deve ser meu.