
Nasci em Lisboa, mas nunca vivi em Lisboa. Vivo na Parede, já vivi no Cacém, mas cresci em Oeiras e se calhar eu gostaria de ter nascido na vila, porque é lá que está a minha infância e a minha adolescência. É lá que estão as raizes das minhas amizades mais antigas, o Liceu de Oeiras, o Pelourinho, a praia de Sto Amaro, a Igreja onde me casei, o jardim onde dei o primeiro beijo, a casa onde me fiz gente.
Mas falava de Lisboa...apesar de tudo, claro que tendo nascido nesta cidade, sendo a cidade onde nasceram os meus filhos e sendo a cidade sempre presente na minha vida...Lisboa também é minha, ou melhor, eu também sou de Lisboa.
E ao percorrer estas imagens, eis que dou comigo a concluir que sim, sou alfacinha. Não só, mas também alfacinha.
A luz, claro. Mas também o típico de algumas janelas, as ruas íngremes, o Chiado, os Restauradores, o pessoal a vender artesanato na Rua Augusta, os jardins de Belém, o Estádio da Luz, o Parque das Nações, as Avenidas Novas, a Praça de Londres e a Guerra Junqueiro e a Av. de Roma, O Bairro Alto, o Rossio, o Castelo e as ruas para lá chegar, o Parque Eduardo VII e a vista que tem, a decadência do Intendente, dos Anjos, do parque Eduardo VII assim que escurece, a maternidade Alfredo da Costa. Tanta Lisboa. E depois há a delícia da Lisboa dos pormenores que nos escapam quase sempre, mas que, felizmente, alguém apanha e mostra,
aqui.