O grito dele não deixa dúvidas: acordou da sesta. Vou lá, ele senta-se na cama, esfrega os olhos e pede logo: "Papá não axendas a luz". A claridade repentina faz-lhe confusão. Então pego nele ao colo, ele ainda está estremunhado, encosta a cabeça ao meu ombro e ali fica dois minutos muito aconchegado. Não diz nada. Esses minutos são profundamente comovedores. O quarto está escuro, entra só uma fresta de luz mínima, que vem da varanda. Está tudo silencioso. Estou com o meu filho ao colinho, ele a acordar aos poucos, eu à espera, desfrutando a comunhão. Fico com lágrimas aos olhos. Isto é tão intensamente precioso, é o que penso sempre. Aqueles minutos dele a encontrar segurança no meu colo para enfrentar a luz, eu ali com ele, dando-lhe o tempo de que ele precisa.
Depois diz baixinho: "Já podes".
Então eu abro a janela, ele ainda esconde os olhinhos no conforto da fraldinha de pano, ri-se e diz: É de dia papá!!!!! Está todo contente!
O que importa se está a chover furiosamente na rua? Há esta luz cá dentro, e é só nossa.
Depois diz baixinho: "Já podes".
Então eu abro a janela, ele ainda esconde os olhinhos no conforto da fraldinha de pano, ri-se e diz: É de dia papá!!!!! Está todo contente!
O que importa se está a chover furiosamente na rua? Há esta luz cá dentro, e é só nossa.
