Todos os dias trazem qualquer coisa.
30 de Novembro de 2004

Leio, e releio, e não acredito:



"O Tribunal de Macedo de Cavaleiros (Bragança) decidiu não levar a julgamento o caso da aluna do Instituto Piaget que em 2002 apresentou queixas por alegados abusos nas praxes académicas. Ana Sofia Damião adiantou à Lusa que está a estudar a hipótese de recorrer da decisão, tomada pelo tribunal na passada quarta-feira, 24 de Novembro" (http://sic.sapo.pt/index.php?article=11886&visual=3&area_id=1)



Extraordinário. Sempre achei que as praxes eram uma forma dos alunos mais velhos exercerem a autoridade gratuita e irresponsavel que a antiguidade das Universidades parece que confere. Uma autoridade irresponsavel que parece dar direito a humilhar os caloiros de todas as formas que a imaginação permitir. E quanto mais sádica e estúpida a praxe, mais sucesso terá junto dos "veteranos". É uma alegria.

Menos para os praxados, claro. O que esta decisão da "Justiça" vem premiar é a irresponsabilidade e o desrespeito pelos outros, numa consagração da estupidez que só tem um mérito: mostra aos jovens das universidades com que pais e com que sociedade podem contar, quando se formarem, aqueles que chegarem de facto a concluir o curso, em vez de acumularem matriculas ( e anos de exercicio de praxes a caloiros).

Quem praxa desta forma está preparado para viver neste país, tem a justiça do seu lado, e tem também os favores das autoridades (políticas e outras), que olham para estes casos com uma benevolência cretina em relação a quem organiza e efectua este tipo de praxes. Deixai os meninos brincar, que estão na idade disso.

É pena que o país seja também, tantas vezes, um país a brincar. E as brincadeiras mais apreciadas sejam tão estúpidas.

publicado por PR às 21:10

O governo foi á vida. Sampaio vai dissolver a Assembleia da Républica. Achei inacreditavel a sucessão de disparates deste governo e não me espanta a decisão. Fiquei, ainda assim, surpreendido pela postura de Santana Lopes, a ensaiar um discurso de vítima e em autentica campanha eleitoral logo em pleno Palácio de Belém, depois do Presidente lhe ter comunicado a decisão de acabar com esta fantochada de (des)governo.

A fazer queixinhas, tipo menino amuado, "porque no tempo de Guterres, após a demissão de Fernando Gomes , o PR não dissolveu..." e outras tiradas do género. Inacreditavel, que falta de respeito e de sentido do razoavel.

Enfim, agora eleições. Ou seja, o PS vai voltar ao governo. E eu só pergunto: então isto quer dizer que vai continuar a haver PPR's com desconto correspondente no IRS? Positivo. :-)





publicado por PR às 19:10
29 de Novembro de 2004

Em que o melhor que podia acontecer era poder passear um bocado numa praia daquelas gigantescas tipo Guincho mas mais escondida, onde houvesse um nevoeiro envolvente e onde a rebentação fosse furiosa, num estrondo de espuma que acompanhasse os meus passos na areia húmida. Num dia frio, sem ninguém a ver, sem mais ninguém.

publicado por PR às 14:16

Um gajo quer marcar uma consulta. Liga. "Ah só para Dezembro".

"Mas olhe que eu e o meu filho estamos a fazer um tratamento e o médico quer ver-nos em Novembro." "OK, vamos falar com o médico e depois será contactado para ver se pode ser nessa altura"

Isto foi no principio de Outubro. Até agora nada. Obrigado Médis.



Dois radiadores do aquecimenbo central pingam. Liga-se para lá, que o compromisso é assistência grátis durante 5 anos. "Assim que tivermos o material ligamos, esteja descansado". Foi em Setembro. Liga-se e volta a ligar-se. A resposta é a mesma.

Obrigado Vulcano.



Está um tempo merdoso.



publicado por PR às 10:33
27 de Novembro de 2004

Alguém quer uma daquelas dores de cabeça que parecem um capacete? Porra...estou com uma dessas...

publicado por PR às 19:00
26 de Novembro de 2004

Daquela música dos Da Weasel com o Manel Cruz, dos Pluto e outrora mentor dos saudosos Ornatos Violeta. É aquela "Casa (vem fazer de conta). Ouço-a uma vez e acompanha-me o dia todo.

publicado por PR às 15:09
23 de Novembro de 2004

O que ele procurava. Quando percorria todos os passeios da cidade, ser sequer olhar para o brilho das montras, só o aroma das castanhas a assar lhe abrandava o passo às vezes. O que é que ele procurava quando percebia que, de repente, já tinha atravessado a cidade inteira, como que cego, como que enfeitiçado, como que se fizesse sentido. Por ruas que nem conhecia, desafiando a má fama de zonas agrestes e outras só desconhecidas e tão novas ao seu olhar como uma folha em branco. O que procurava quando chegava da rua exausto, fintando o frio cortante de Novembro, e desatava num compulsivo zapping, em frente à televisão que vagamente debitava canais que ele nem chegava a ver, de facto. O que quereria ele ver, mesmo sem ter capacidade para olhar, porque para olhar é preciso parar e respirar por um instante?

O que procurava ele. Nas músicas que o rádio tocava, nas páginas que desfolhava á toa, em livrarias secretas de bairros escondidos, o que procurava ele quando se deixava estar, no fim das sessões de cinema, sozinho na sala, a um canto, com as letras a correr á sua frente no fundo negro do écran. Os dias todos entre aquele escuro quase seguro, quase aconchego e a segurança ampla das ruas cheias de anónimos. Zangado e impaciente, pedia um café, mas se demorava muito deixava o dinheiro na mesa e fugia de novo para a procura desvairada e insana.

O que procurava ele, numa Lisboa agreste, onde só a luz, meu Deus que luz! o não maltratava, antes envolvia, como uma carícia de mãe, um regaço?

O que procurava. Ele.

Com sorte...ela, algures. Ele procurava-a. Como se a vida fosse uma lotaria e as ruas, os cinemas, as músicas do rádio, os livros que tocamos e não lemos, os cafés que pedimos e não tomamos...se tudo fossem cautelas, à espera que alguêm dê à roda, e se faça luz. E da luz se faça paz.



publicado por PR às 11:02
22 de Novembro de 2004

Porque é que não gosto nada de estar a assistir ao embrulhar de presentes que comprei, porque acho que aquele deve ser o trabalho mais chato que pode haver?

Porque é que a maior parte dos números que tenho no meu telemovel não me servem rigorosamente para nada, já que não os uso, e muitos nem sei porque é que os tenho na lista?

Porque é que o Estado é o maior ladrão que existe? Porque é que é possível a pergunta do referendo da Europa ser tão desonesta?

Porque é que não acerto uma no euro milhões?

Porquê, meu Deus, porquê? :-)

publicado por PR às 19:08
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