Todos os dias trazem qualquer coisa.
31 de Outubro de 2004

Depois do FC Porto ter dado uma balda ontem contra o Nacional, bastava ao Benfica ganhar esta noite ao Gil Vicente (ultimo da classificação) para aumentar para 3 a vantagem sobre o Porto. O que é que o Benfica faz? O normal. Joga pouquíssimo e empata no último minuto com sorte. Uma exibição decepcionante, sem classe, nem raça de uma equipa sofrivel, que não consegue regair quando se apanha a perder, seja contra quem for.

Que o Benfica tem de se reforçar se ainda quiser pensar em ganhar o campeonato, isso é evidente. Que Everson, Amoreirinha e Paulo Almeida não são reforços também é claro, que começar uma partida com esse tal Paulo Almeida e Zahovic é começar logo com nove também me parece óbvio...Mas caramba! Contra o ultimo classificado esperava-se um mínimo de categoria. E vai o Benfica em primeiro! O Porto e o Sporting ainda estão mais aparvalhados...Bem, para a semana há mais sofrimento.

publicado por PR às 22:45

Bin Laden avisa a America que a guerra continua. Um fundamentalista católico "atira-se" ao Cardeal de Lisboa contra o a abertura de Fátima a crentes de outras fés que não a católica. Nos países árabes, no ano passado, foram mutiladas mais de 30 mil crianças do sexo feminino. O Paquistão acaba de ratificara pena de morte para mulheres acusadas de "desonra".Uma simples acusação verbal chega, desde que seja feita por um homem.

Está tudo louco.

publicado por PR às 13:25
29 de Outubro de 2004



Nada se perde, tudo se transforma...Começou hoje na Best Rock Fm o novo programa da manhã. Deixar a Best foi a mais dificil decisão profissional da minha vida, mas hoje ao ligar o rádio de manhã ouvi o Diogo e o Miguel, imaginei a Patricia do lado de fora do aquário e pensei: está tudo bem. O Miguel eu ainda agora conheci, mas o Diogo e a Patricia são, além de seres humanos extraordinários, profissionais de primeira, pelo que mais do que outra coisa, estava só curioso para ver se isso seria audivel, logo no primeiro dia. Foi, de caras. Tomara eu, em algum dos meus primeiros dias de tantos programas, ter estado a um nivel tão alto! Soube-me bem ouvi-los, foi como se me saisse um certo peso dos ombros...a Best Rock Fm, a estação mais importante da minha carreira, em termos sentimentais (por uma questão de orgulho, mágoa, brio, e sobretudo por ter tido lá a melhor equipa que se pode ter) segue o seu caminho, sem dramas e com muita força. Com estilo. Fiquei muito contente com o que ouvi, embora tenham sido só uns minutos, e desejo ao Diogo, ao Miguel e à Patricia (a produtora que todo o profissional de rádio gostaria de ter, além de ser cada vez mais gira. E tem um Lancia Delta - domínio!) a melhor sorte e sei que eles terão cada vez mais ouvintes. Porque merecem e porque têm o talento necessário. Depois têm a extraordinária Claudia Capela no trânsito e a deliciosa Inês Cordeiro nas notícias...Os dados estão lançados, isto vai ser imparavel :-) E para mim, aconteça o que acontecer, o 96.6 será sempre a minha defalut radio no carro.

publicado por PR às 15:49
28 de Outubro de 2004

Já que estou numa de canções "com recheio", que tal esta? É definitiva e ao mesmo tempo tão prometedora. Ary dos Santos, para a voz de Carlos do Carmo, com música de Fernando Tordo. Li no livro "As palavras das cantigas" que a letra desta arrebatadora canção foi escrita...em hora e meia. Porque Ary dos Santos queria escrever uma canção "...para meter muitas palavras, para dizer muitas coisas, muitas coisas..."

Escrita na Rua da Saudade, na Lisboa típica, ali perto do Castelo..."A Estrela da tarde"



Estrela da Tarde



Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia

Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia

Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia

Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia



Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia

E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria

Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia

Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia



Meu amor, meu amor

Minha estrela da tarde

Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde

Meu amor, meu amor

Eu não tenho a certeza

Se tu és a alegria ou se és a tristeza

Meu amor, meu amor

Eu não tenho a certeza



Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram

Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram

Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram

E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram



Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram

Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam

Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram

E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram



Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto

É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto

Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto

Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto



Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!
publicado por PR às 10:27
26 de Outubro de 2004

Esta tinha mesmo de trazer aqui, mais dia menos dia. Que canção!



Não falei contigo

com medo que os montes e vales que me achas

caíssem a teus pés...

Acredito e entendo

que a estabilidade lógica

de quem não quer explodir

faça bem ao escudo que és...



Saudade é o ar

que vou sugando e aceitando

como fruto de Verão

nos jardins do teu beijo...

Mas sinto que sabes que sentes também

que num dia maior serás trapézio sem rede

a pairar sobre o mundo

e tudo o que vejo...



É que hoje acordei e lembrei-me

que sou mago feiticeiro

Que a minha bola de cristal é folha de papel

Nela te pinto nua, nua

numa chama minha e tua.



Desconfio que ainda não reparaste

que o teu destino foi inventado

por gira-discos estragados

aos quais te vais moldando...

E todo o teu planeamento estratégico

de sincronização do coração

são leis como paredes e tectos

cujos vidros vais pisando...



Anseio o dia em que acordares

por cima de todos os teus números

raízes quadradas de somas subtraídas

sempre com a mesma solução...

Podias deixar de fazer da vida

um ciclo vicioso

harmonioso do teu gesto mimado

e à palma da tua mão...



É que hoje acordei e lembrei-me

que sou mago feiticeiro

e a minha bola de cristal é folha de papel

Nela te pinto nua, nua

Numa chama minha e tua.



Desculpa se te fiz fogo e noite

sem pedir autorização por escrito

ao sindicato dos Deuses...

mas não fui eu que te escolhi.

Desculpa se te usei

como refúgio dos meus sentidos

pedaço de silêncios perdidos

que voltei a encontrar em ti...



É que hoje acordei e lembrei-me

Que sou mago feiticeiro...



...nela te pinto nua, nua

Numa chama minha e tua.



Ainda magoas alguém

O tiro passou-me ao lado

Ainda magoas alguém

Se não te deste a ninguém

magoaste alguém


A mim... passou-me ao lado.



A Carta - Toranja

publicado por PR às 16:23



Rui Unas, em grande, em "Os Imortais"



É já lendário o atraso com que vejo os filmes que vão sendo feitos. Porque não tenho tempo para ir ao cinema, normalmente, vejo os filmes que me interessam em DVD, umas semanas, quando não uns meses, depois da estreia. Foi o que aconteceu com "Os Imortais", de António Pedro Vasconcelos. Vi ontem e gostei muito. A temática da Guerra Colonial sempre me interessou, e depois o filme dá-me a oportunidade de ver em acção duas pessoas que muito admiro. Uma é o extraordínário Nicolau Breyner, que eu adorei entrevistar num programa que tive em tempos na Nostalgia. Um senhor, que neste filme enche o écran com o talento da sua representação, feita de uma autenticidade que lhe vem de dentro, profunda e nobre, e à qual junta maneirismos muito seus que emprestam ainda mais densidade à personagem e que ainda mais aproximam o espectador daquele inspector quase reformado. Brilhante.

Depois o filme deu-me a oportunidade de conhecer o Rui Unas, actor. E que actor. Ninguém diria que foi o seu primeiro trabalho no cinema. Pode dizer-se que aquele "boneco" é muito o que ele faz no "Cabert da Coxa", mas se isso é verdade, não o é menos a conclusão de que ele faz aquilo de uma forma brilhante. A cena da Igreja e a cena final do filme, no cemitério, mostram, a meu ver, todo o imenso talento de Rui Unas, actor. E fico a pensar como será quando o Rui deixar que o seu enorme talento de comunicador e actor ultrapasse as barreiras que, até agora, ele próprio se tem imposto. Se ele é assim com 31 anos, como será...daqui a dez?

Se ele quiser, pode ser o que ele quiser. É uma das conclusões que retiro de um filme muito interessante, onde por vezes se nota a escassez de meios, mas onde se conta, bem, uma história e o espectador está suspenso do desenlace dessa história, até ao fim.

António Pedro de Vasconcelos, que também admiro e que também tive a sorte de entrevistar nesse programa da Nostalgia, está de parabéns.

Palavra de um mero cinéfilo de trazer por casa, mas que gostamesmo de se emocionar com um filme. Sobretudo com um filme, que, como diz o seu realizador...é justo com a vida.

publicado por PR às 12:38
24 de Outubro de 2004

Raio de inicio de Inverno (qual Outono! Chove que Deus a dá, está a ficar frio, e os dias estão mais cinzentos que cimento fresco) !

O meu puto teve Amigdalite e agora apresenta uma coisa de nome estranho, mas aparentemente pouco complicada chamada "exantema súbito", ou "sexta doença". QUÊ?

Está todo cheio de manches e não sei se terá sido da comichão, mas a verdade é que nos deu a pior noite de sempre. Dormiu pouquissimo esteve sempre a acordar. A Mafaldinha está toda entupida de ranhoca verdinha, que maravilha.

Estão os dois no estaleiro.

Ontem fui fazer Real Madrid-Valencia, daqui a pouco faço Parma-Lazio. E amanhã como será? Não podemos não ir trabalhar! Enfim, a familia (entenda-se avós) está mobilizada para a grande operação de ajuda.

Que dias merdosos.



publicado por PR às 12:22
22 de Outubro de 2004

Há mais ou menos 15 anos que escrevo coisas. Em folhas A4, em Livros em Branco, em documentos Word, até mesmo em toalhas de papel.

E durante muitos anos só mostrei esses poemas e prosas a poucas, pouquíssimas pessoas.

Fui sempre adiando a ideia de tentar publica-los. Até este ano. Senti, não sei porquê, que estava preparado para arriscar a exposição de publicar o que escrevi. E procurei.

Encontrei entusiasmo e sensibilidade, mas depois também descobri uma certa hesitação comprometida..." Disseram-me, com simpatia e delicadeza, que "os poemas são muito frágeis, sabes disso", "confessionais", "expõem-te a ti e a nós"...

Não serão frageis os poemas de todos os poetas? Parece-me injusto, até porque eu já li tanta merda banal escrita por poetas (o que raio será isso afinal...o ser ou não ser poeta...) que...

Claro que isto sou eu a ser juiz numa causa, que não só é minha, como é uma causa fundamental daquilo que sou. É uma coisa orgânica, íntima. Não tenho, pois, como ser imparcial.

Mas fiquei triste, pois só a ideia de assumir o risco da exposição, editando o que escrevi, representa para mim uma grande vitória, pessoal, contra todas as defesas que fui erguendo ao longo dos anos...

E fará sentido editar só as prosas? Hesito...

publicado por PR às 18:36
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O júri decidiu..Abç
Que circo, C., que circo!!!Mea Culpa, e tua culpa....
Essas conversas desses mundos não me s&atil...
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