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Do Amor.

por PR, em 11.10.17

Uma pergunta muito recorrente é se alguém acredita no Amor. Não no sentido de achar que vai resolver a sua vida sentimental ou se está apaixonado, mas num sentido mais largo, até filosófico. Acontece muito quando alguém é deixado, o desabafo "já não acredito no Amor". Mas há uma dimensão superior desta palavra especial, que ultrapassa o restrito sentido romântico para passar a ser pleno, na sua substância. O Amor de letra grande é aquele que não é determinado nem por paixão nem por contrato, nem por hábito nem pela razão.

É, simplesmente. 

E é nesse amor absoluto e que é tão instintivo como o é o acto de respirar que trata este texto. Algo que não é ensinado, simplesmente é, em todo os eu esplendor, mesmo antes de ser possível uma palavra.

Tenho esta reflexão no dia em que chego cansado do trabalho e, ao entrar em casa, surge a minha filha de 7 meses, a flutuar num sorriso de boca aberta, de alegria em sol maior. Um iluminar de um pequeno rosto que representa uma alegria pura, que ouso puxar para o significado lato do Amor. Porque é assim que o interpreto. A Carminho faz hoje 7 meses e sim, eu quando a vejo tão genuinamente feliz por nos ver, a mim, à mãe, aos irmãos, eu chamo a isso Amor. O Amor maior. Puro, sem filtro, ainda mais valioso porque não está aprendido nem ensinado, de outra forma que não com o afecto diário, o instinto protector, a brincadeira, o cuidado com tudo o que é a vida dela e a sua vivência diária. Está na troca de olhares durante as refeições, enquanto se canta o "...barqueiro leva o barco ao Mira", está na galhofa no banho, com ela a agarrar os patinhos e já tão crescida a equilibrar-se, sentada na banehira; está no jogo co "cu-cu" de aparecere  desaparecer do seu olhar, que alegria tão pura!

Este amor não tem comparação com nada. É maior que tudo.

É tudo. 

É.

 

 

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Vida de Cão. 20 anos.

por PR, em 08.10.17

O Homem que Mordeu o Cão faz 20 anos, e o Nuno juntou todo o universo da rubrica numa noite de Coliseu dos Recreios. A sala encheu para mergulhar no planeta Markl, e foi emocionante esse cruzamento de memórias, entre o publico e nós todos, que, de alguma forma, fomos tocados por este marco na história da rádio. Uma rubrica de rádio que atinge 20 anos, embora não seguidos, e que dá origem a não sei quantos livros, e que se mantém naquele patamar único das coisas que já foram muito importantes para as pessoas e que ainda o são. È antigo e é novo, ao mesmo tempo. Tem 20 anos e habita no tempo presente, como se não tivesse passado algum.

Para mim, que estive na génese da coisa e estou ali, diariamente, com o Nuno, foi especialmente tocante. Foi impossível não pôr em perspectiva estes 20 anos, e o tempo todo de amizade com o Nuno, que começou bem antes daquele 6 de Outubro de 97. 

E, de repente, estamos nos bastidores, á conversa, a Lamy, os Cebola Mol, o Bruno, o Ricardo, a Maria.E temos os testemunhos, em video, porque não puderam ir lá, do Malato e da Vanda. E depois aquilo tudo é um melting pot de memórias cruzadas, fases tão diferentes do nosso trabalho e da realidade de cada um, que parece uma reunião de antigos alunos. Sort of.

E a lembrança do programa de televisão que fizemos, das temporadas no Vilaret, a digressão pelo país a fazer o espectáculo, aquela tarde em que ouvimos aquilo em que tinham transformado a nossa rádio, nunca mais me esqueço, eu, o Nuno e a Maria, a ouvir a Comercial, no Algarve, os olhos molhados de tristeza e revolta. 

E lembro-me de quando o Gimba fez o videoclip com o genérico, e quando começámos a perceber, nos primeiros tempos da internet, que aquilo era uma rubrica de culto e que era especial. Como foi, Como é.

Esta noite de Coliseu, teve tudo o que o Nuno é: génio e desatento. Sem medida e metódico ao mesmo tempo. Um miúdo e, ao mesmo tempo, um senhor. Aqueles olhos a brilhar, tão contente, tão bom de ver, tão especial estar ali, ao seu lado, quando antes, como sempre.

O Nuno é uma das melhores pessoas que há. E merece tudo de bom. O que aconteceu na sexta-feira foi, por isso, especialmente emocionante. Porque foi justo e aconteceu no tempo presente. Não foi preciso uma homenagem de carreira, um especial daqui a muitos anos do género "lembra-se deste senhor?".

Não. Foi quando teve de ser, com a lava a borbulhar ainda, num rio incandescente e bem vivo de criatividade.

20 anos de Homem que Mordeu o Cão. Parabéns, Nuno.

E obrigado por tudo. Até amanhã, no estúdio, outra vez.

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Pronto.

por PR, em 06.10.17

Agora não há sombra nenhuma. A vida é só para viver, em paz. Justiça foi feita. 

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A tragédia catalã.

por PR, em 02.10.17

Assisto, com interesse e receio, aquilo que está a acontecer na Catalunha. Parece-me que, entre os políticos mais radicais da Catalunha, e o poder central de Madrid, há boas doses de demagogia, cada uma com os seus perigos próprios, e que a situação se tornou incontrolável. Julgo que já houve um tempo em que seria possível aprofundar aspectos da autonomia da Catalunha, sem ter de desagregar o estado espanhol. Agora julgo que é inevitável essa separação. 

Esta situação, e a forma como ela se descontrolou, recorda-me, uma vez mais, como vivemos tempos em que fazem falta estadistas. Políticos que tenham o bom senso e sabedoria de quem conhece a História. Líderes que saibam antecipar os movimentos sociais e suas consequências, se se lidar com a sociedade como quem lida com um ficheiro excell, e ainda mais se se ceder à demagogia fácil para se agradar, com vistas curtas, ao restrito publico de fieis mais próximos. Vejo os argumentos de uns e outros e depois penso nas palavras de Vargas Llosa, e concluo que era preciso ter sido muito mais prudente, de todos os lados daquilo que é, agora, uma guerra. 

E depois é a violência gratuita, perfeitamente grotesca numa Europa do século XXI, numa cidade como Barcelona, que sempre foi de vanguarda e agora parece um anacronismo explosivo que não tem sentido. Policia e militares a carregar sobre civis, sangue derramado nas ruas, um perigo latente para os próximos anos, e talvez gerações, de catalães...e espanhóis. Olha-se para a forma como o Estado espanhol lidou com isto e pensa-se: quem quer ser governado por um Estado assim?

Adoro Barcelona, admiro este povo e esta ciadde, e tudo isto é uma dor. 

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Um sonho tornado realidade. Olhar para lá das audiências, das grelhas de programas, de nós próprios. Pensar no que ficará, depois, para quem vier. Um estúdio de rádio com som e imagem na sua génese. Rádio iluminada, sem sombras. E, claro, uma equipa que brilha com uma luz que é sua e muito própria. Uma sorte do caraças poder fazer parte e viver isto.

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Um grande amigo disse-me noutro dia que tinha de escrever um texto sobre a vinda de Nik kerhsaw a Portugal. E eu, que não sabia desse concerto, dei-lhe duas ou três dicas sobre esse personagem da pop do inicio dos anos 80. Acontece que tenho os três primeiros discos do rapaz, só os três primeiros "Human Nature", "The Ridlle"  e "Radio Musicola". 

Nik Kershaw foi um ícone pop, com temas que derreteram nas rádios, como "Wouldn't be good" ou "I won't let the sun go down on me", mas havia um lado menos conhecido de algumas das suas canções, com propostas de reflexão mais profundas. 

Bogart, Save the Whale, What the Pappers Say,  Know How e Radio Musicola, por exemplo, são temas onde Nik Kershaw quer ir, e vai - ainda que de uma forma desengonçada e pouco estruturada - mais fundo do que aquela crosta açucarada da pop básica dos grandes êxitos. O declínio de popularidade de Nik kershaw, após esses anos gloriosos, segue a linha de muitos heróis da pop que não souberam reinventar-se, deixara, simplesmente de estar na moda e de aparecer na revista Bravo e no Europa Countdown do Adam Curry.

Imagino que um concerto dele hoje seja ainda e sempre à base dos temas desses discos, mas prefiro não ir e guardar a lembrança de ouvir esses discos em casa dos meus pais e ler as letras, numa descobertas dos LP's que a geração dos meus filhos desconhece, entregues aos youtube e spotifys da vida e a um consumo de música muito mais volátil e nada perene. Naquele tempo comprava-se um disco juntando dinheiro, ouvia-se vezes sem conta, aprendia-se as letras todas, os artistas eram para a vida. Ou pelo menos para os anos seguintes, como foi o caso. Nik Kershaw parece ser um caso de alguém que tentou sempre ser um pouco mais que um artista pop, e, nos ultimos discos, mais maduro e menos sujeito à pressão de ser um ídolo, é mais estruturado na abordagem a temas como a política, defesa do ambiente e outros aspectos que, à partida, não seriam óbvios quando o víamos, há 30 e tal anos, com as músicas e o penteado característicos, lutando por um lugar no Top of the Pops.

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"Now it almost seems incredible"

por PR, em 12.09.17

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Este disco fez, há uns dias, 30 anos. Eu tinha 16 quando comprei o vinil, protegido por um plástico transparente com um pequeno rectangular em baixo, a dizer "Caixa de Música", a pequena loja de música que havia ali num pequeno beco, à entrada de Santo Amaro.

Hoje em dia, a ideia de juntar dinheiro para comprar um disco é talvez bizarra, para quem tem acesso fácil à musica, por essa net fora, mas naquela altura era mais difícil Um adolescente tinha de escolher. Um disco só, e depois juntar dinheiro para outro. Este, escolhi-o, após de um verão em que "It's a sin" e "What Have I Done to deserve This?" torraram nas rádios. Este duo pop já me tinha chamado a atenção com Suburbia, West Ende Girls, Opportunities...

Com "Actually" confirmei as minhas suspeitas de que havia aqui mais do que hits pop de verão, e descobri um imaginária de arranjos elegantes, letras espertas, repletas de ironia e humor. "It couldn't happen here", "Rent", "King's Cross", "I want to wake up"  mostraram-me outra dimensão, irresistível, deste dueto que, pela vida fora, havia de tornar-se uma das minhas bandas icónicas. Eu era uma miudo de 16 anos quando comecei a ouvir este vinil, e ainda hoje o tenho.

Actualmente, a obra dos Pet Shop Boys é feita de discos que achei menores, nos últimos anos, mas,. se calhar, eles é que evoluíram e eu deixei de acompanhar. Uma coisa é certa, depois de "Actually" comprei todos os discos, incluindo aqueles de raridades e lados B. Uma coisa a resolver: nunca os vi ao vivo, actually.

 

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...e passaram 5 anos.

por PR, em 08.08.17

Ela tem aquele cabelo de seda, lindo. Tens aquele maravilhoso, e uma gargalhada que enche o espaço onde esteja, com uma alegria pura, que é tão ela, quando está contente. A Maria, a minha querida Maria, faz hoje 5 anos. Vive num mundo de princesas, Pinipons, Pj Masks, Ruca E ganchos para o cabelo, e fitas e bandoletes. E maquilhagem de brincar, e cozinhas de brincar, e sobretudo, roupas, Gosta de vestidos, e saias. Gosta de combinar as cores, gosta de vestir-se e ver-se ao espelho, vaidosa e pirosa como que é natural numa miúda que tem 5 anos, mas que é, ainda, tão bebé em algumas coisas.

Gulosa e comilona, já não é, no entanto, aquele  bebé rechonchudo que foi. Faz a sua cama sozinha, arruma o seu prato às refeições, começa a tomar banho quase sem ajuda (quase...), tem uma incrível capacidade de se entreter sozinha, com os seus brinquedos e a sua imaginação (é lindo vê-la e ouvi-la brincar, inventa histórias e diálogos sem parar!), e sobretudo, o tempo todo, canta. O que canta a Maria! Todos os dias.

De Lady Laura à música do Neyminho, daquela do Barco que leva o barco ao Mira, às músicas da Sara, a pirata...de todo o repertório dos Caricas ao Despacito, do Bamboleo ao Love me like you do e à música dos Trolls, é uma festa, todos os dias!

Tem comigo uma ligação que me comove, a cada dia, porque é de um intenso, expansivo, permanente e puro amor, avassalador e cheio de sorrisos nossos, num caminho a dois que nem sempre foi fácil de construir e fazer crescer, não por mim ou por ela, mas não foi.

Hoje, aqui estamos, fortíssimos na vida um do outro, para sempre.

A Maria faz 5 anos, a Maria faz toda a vida, todos os dias.

Parabéns, meu Amor.

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Et demain...tout commence.

por PR, em 06.08.17

Acabo de ver este filme, e ele tocou-me, forte.

Ser um bom pai ou uma boa mãe é uma tarefa diária, e ninguém nasce ensinado. Uma coisa é certa: ninguém é perfeito, todos os dias, se calhar dia nenhum, e todos vamos improvisando, a cada dia.

Existir amor, a noção entre o bem e o mal, bom senso, parece-me óbvio. E sorte. 

Vejam o filme. 

 

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É um disco ao qual volto muitas vezes. Lembro-me de ouvir isto lá na rádio, num estúdio em 94 ou 95, com o Rui Vargas e o Nuno Markl, e de alguém comentar que era um disco de uma protegida de Madonna, porque era de uma editora que ela tinha fundado, a Maverick. Não sei se essa ligação era de facto assim tão directa, mas se foi, foi bem, Madonna. Que disco monumental!

"Jagged Little Pill" é um disco organico, como poucos. Ali há alma a transbordar, sem efeitos especiais nem rodriguinhos, é o que é. É áspero, às vezes, e doce outras, é frágil mas com as garras de fora, à defesa, pedindo, afinal, ajuda, aos gritos ou na melancólica ironia desiludida e aflita da maior parte das letras, 

Tem canções que acabam por marcar quem as ouviu na altura e eventualmente as descobre agora, porque , e isso acontece com as grandes canções, o que ali é cantado, o que ali está escrito, é de sempre. Somos nós todos, na nossa condição: virtudes e misérias, medos e conquistas, sonhos e desilusões. 

Ironic (que Alanis nem queria meter no alinhamento, tiveram de convencê-la), Head Over Feet, All I really want, Perfect e o explosivo Someone Like You antes do tempo e com outro volume de som, You Oughta Now são temas aos quais sabe sempre bem voltar, e cantar no carro. Como hoje, há bocadinho.

Depois deste disco, Alanis fez mais uma mão cheia de canções incriveis, há o Uninvited, o 21 Things I want in a lover, o Thank You, o Joining You, o Hands Clean, o So Unexy, por exemplo. 

MasJaggedLittlePill, com canções feitas, cada uma, num dia ou menos, por alguém que só queria ser ouvida e tinha sido rejeitada por meia dúzia de editoras antes da salvadora e visionária Maverick, tem aquela marca rara dos álbuns decisivos. Um monumento. 

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"Well life has a funny way of sneaking up on you
And life has a funny way of helping you out
Helping you out"

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