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...e passaram 5 anos.

por PR, em 08.08.17

Ela tem aquele cabelo de seda, lindo. Tens aquele maravilhoso, e uma gargalhada que enche o espaço onde esteja, com uma alegria pura, que é tão ela, quando está contente. A Maria, a minha querida Maria, faz hoje 5 anos. Vive num mundo de princesas, Pinipons, Pj Masks, Ruca E ganchos para o cabelo, e fitas e bandoletes. E maquilhagem de brincar, e cozinhas de brincar, e sobretudo, roupas, Gosta de vestidos, e saias. Gosta de combinar as cores, gosta de vestir-se e ver-se ao espelho, vaidosa e pirosa como que é natural numa miúda que tem 5 anos, mas que é, ainda, tão bebé em algumas coisas.

Gulosa e comilona, já não é, no entanto, aquele  bebé rechonchudo que foi. Faz a sua cama sozinha, arruma o seu prato às refeições, começa a tomar banho quase sem ajuda (quase...), tem uma incrível capacidade de se entreter sozinha, com os seus brinquedos e a sua imaginação (é lindo vê-la e ouvi-la brincar, inventa histórias e diálogos sem parar!), e sobretudo, o tempo todo, canta. O que canta a Maria! Todos os dias.

De Lady Laura à música do Neyminho, daquela do Barco que leva o barco ao Mira, às músicas da Sara, a pirata...de todo o repertório dos Caricas ao Despacito, do Bamboleo ao Love me like you do e à música dos Trolls, é uma festa, todos os dias!

Tem comigo uma ligação que me comove, a cada dia, porque é de um intenso, expansivo, permanente e puro amor, avassalador e cheio de sorrisos nossos, num caminho a dois que nem sempre foi fácil de construir e fazer crescer, não por mim ou por ela, mas não foi.

Hoje, aqui estamos, fortíssimos na vida um do outro, para sempre.

A Maria faz 5 anos, a Maria faz toda a vida, todos os dias.

Parabéns, meu Amor.

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Et demain...tout commence.

por PR, em 06.08.17

Acabo de ver este filme, e ele tocou-me, forte.

Ser um bom pai ou uma boa mãe é uma tarefa diária, e ninguém nasce ensinado. Uma coisa é certa: ninguém é perfeito, todos os dias, se calhar dia nenhum, e todos vamos improvisando, a cada dia.

Existir amor, a noção entre o bem e o mal, bom senso, parece-me óbvio. E sorte. 

Vejam o filme. 

 

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É um disco ao qual volto muitas vezes. Lembro-me de ouvir isto lá na rádio, num estúdio em 94 ou 95, com o Rui Vargas e o Nuno Markl, e de alguém comentar que era um disco de uma protegida de Madonna, porque era de uma editora que ela tinha fundado, a Maverick. Não sei se essa ligação era de facto assim tão directa, mas se foi, foi bem, Madonna. Que disco monumental!

"Jagged Little Pill" é um disco organico, como poucos. Ali há alma a transbordar, sem efeitos especiais nem rodriguinhos, é o que é. É áspero, às vezes, e doce outras, é frágil mas com as garras de fora, à defesa, pedindo, afinal, ajuda, aos gritos ou na melancólica ironia desiludida e aflita da maior parte das letras, 

Tem canções que acabam por marcar quem as ouviu na altura e eventualmente as descobre agora, porque , e isso acontece com as grandes canções, o que ali é cantado, o que ali está escrito, é de sempre. Somos nós todos, na nossa condição: virtudes e misérias, medos e conquistas, sonhos e desilusões. 

Ironic (que Alanis nem queria meter no alinhamento, tiveram de convencê-la), Head Over Feet, All I really want, Perfect e o explosivo Someone Like You antes do tempo e com outro volume de som, You Oughta Now são temas aos quais sabe sempre bem voltar, e cantar no carro. Como hoje, há bocadinho.

Depois deste disco, Alanis fez mais uma mão cheia de canções incriveis, há o Uninvited, o 21 Things I want in a lover, o Thank You, o Joining You, o Hands Clean, o So Unexy, por exemplo. 

MasJaggedLittlePill, com canções feitas, cada uma, num dia ou menos, por alguém que só queria ser ouvida e tinha sido rejeitada por meia dúzia de editoras antes da salvadora e visionária Maverick, tem aquela marca rara dos álbuns decisivos. Um monumento. 

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"Well life has a funny way of sneaking up on you
And life has a funny way of helping you out
Helping you out"

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Aquele dia.

por PR, em 28.07.17

 

Naquele verão de 82, eu era um menino de 11 anos, e, nos jogos na rua, toda a gente queria ser o Zico. Ou o Sócrates. Ou o Éder. Tinha feito a colecção de cromos do Naranjito, e tinha visto, em êxtase maravilhado, a virada contra a URSS de Dassaev em Sevilha. Aqueles golos de Sócrates e Éder, que pinta! E depois o atropelo à Escócia, Nova Zelândia e Argentina de Maradona. 

A Itália tinha-se arrastado na primeira fase, mas Paolo Rossi foi o anti-Cristo daquela tarde no Sarrá, e perceber que nem sempre ganha o melhor foi lição para a vida. Este documentário é um extraordinário documento que me tocou fundo, porque eu também chorei naquele dia, com aquela derrota. Ainda hoje sonho em arranjar uma camsila Topper daquelas, com o símbolo do Café do Brasil ali metido no escudo. Número 10, à Zico.

Foi a melhor selecção que já vi, futebol arte, futebol sorriso, futebol puro como a infância feliz. 

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A primeira coisa é o sorriso, a maneira como ela sorri quando acha graça a alguma coisa. A forma como desenrola o sorriso em gargalhada, perante uma piada ou alguma coisa que a surpreende, em bom. A primeira coisa que nos chega dela, é o sorriso, desde pequena. Estou a vê-la fotografada, a fazer poses, na varanda de casa, de t-shirt azul com uma florzinha amarela, pequenina. Esse sorriso nunca desapareceu, ao longo de todo este tempo. 

Quando nasceste, minha pequenina, estava um tórrido dia de verão, eu tinha uma t-shirt cor de laranja dos Garbage, a Maternidade Alfredo da Costa suava. O trabalho de parto levou quase um dia inteiro. Quando te peguei a primeira vez, foi numa salinha onde te pesaram. Parece que lá estou, até me arrepio de tão presente que é essa memória. Disse-te "Eu é que sou o teu pai.", e lembro-me que chorei. Estava tão contente. Nunca, na minha vida, tinha sentido uma alegria tão grande. Aquele primeiro momento na vida em que eu disse, do fundo de mim "Nunca tinha estado tão feliz. Este é o Everest da felicidade. Daqui de cima vejo todas as misérias do mundo, e não as vejo de todo. Só vejo arco-íris de felicidade, só vejo rios de alegria a desaguar em toda a humanidade, sonhos bons que se cumprem, toda a esperança é legítima, a vida pode correr bem, nasceu a Mafaldinha".

Ela é a melhor irmã que alguém pode ter, gostava de me demorar nisto aqui um bocadinho.

O Gonçalo tem nela o seu farol, a luz que vai sempre iluminar-lhe o caminho, e ser porto de abrigo, inspiração e referência. Os mais pequenos todos adoram-na, e ver como ela gosta genuinamente de descer degraus na idade, de repente, e brincar com eles, genuinamente divertida, é comovente. A Mafalda mana, que maravilha, que bom que é estar a vê-la ser isso, tão bem.

O defeito de ser desarrumada em casa é só um detalhe que destoa, numa miúda que, no resto, é tudo, mesmo tudo - e mais ainda - que um pai podia sonhar. Lembro-me sempre, neste dia, daquela tarde em que ela desapareceu, e em que o meu mundo se partiu todo em mil bocados de negritude e desorientação. Graças a Deus, apareceu. 

A Mafalda é hoje uma miúda de 17 anos, a sonhar com o seu curso de Nutrição, a praticar uma alimentação sem carne, mas com Santini. Muito, de preferência. De Sushi  ("Pai podemos ir ao Raul? Vá lá..."), de pasteis de Nata da Manteigaria...Os fatos de banho da Canté; o mundo, para ela encantado, da maquilhagem; a música com muita atenção a todas as palavrinhas, que uma canção, como a vida, não é so a embalagem, é tudo o que traz dentro. 

Olho para a Mafalda e só penso: que sorte incrível que tenho, que bênção! Ao longo da vida, não foi só o pai que esteve lá sempre, como pode e soube, para ela. Foi ela que esteve sempre comigo. Que nunca me falhou na compreensão, alegria, paciência, brincadeira, cumplicidade absoluta que está nos detalhes de personalidade que partilhamos, às vezes tão iguaizinhos. 

Sim, 14 de Julho é sempre um dia especial. Acordo feliz. Mais do que no meu próprio dia de anos, acho! 

A minha filha mais velha faz anos. Todo o planeta devia festejar, não há muitos seres humanos tão espectaculares. Não é por ser minha filha, mas fogo! É mesmo maravilhosa e merece que a vida seja aquilo que ela sonha. Tem o coração no sítio certo, percebe que, na vida, o mais importante não são os números, são as pessoas. Conta sempre com esta pessoa, que tem a sorte de ser o teu pai. Sempre, meu amor.

Parabéns, pequenina. 

 

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Nem nos filmes.

por PR, em 10.07.17

 

Foi há um ano, e é para sempre.

A pele que se arrepia, a lágrima que espreita.

 

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Sweet, sweet boy.

por PR, em 25.06.17

14 anos, o meu filho.

 

É um rapaz a meio de uma transformação grande. Fisicamente continua franzino, mas ameaça dar o grande pulo, um destes dias. Jogador dedicado, sabe que nao é nenhum CR7, mas isso não diminuiu a sua entrega e o seu empenho aos treinos e isso também é um bom traço de carácter. Como a aposta em falar menos nas aulas e melhorar as notas, provando que, querendo, o Gonçalinho pode tudo. 

O coração que se agita, e se traduz num romantismo que ele mantém na sua privacidade, sem alarido. Uma facilidade em rimar, de tanto ouvir hip hop, tuga e não só, mas com sentido de humor suficiente para conseguir rir de si próprio, quando ponho um beat instrumental a tocar e ele a rimar por cima, os dois a rirmos no carro, A5 fora.

Meu companheiro de bola, como sempre sonhei, esteve ao meu lado na monumental molha da final da taça, como está ao meu lado no nosso lugar de sempre, no Piso 0 da Luz, uma febra ou um cachorro ao intervalo, pai põe o carro no parque do hospital, que é o melhor.

Encantado com a pequenina irmã mais nova, é comovente vê-lo próximo de todos, um sorriso fácil, uma alegria muito dele, uma promessa de grande futuro, a cada dia.

Vê-lo crescer assim tem tanto de encantador, que não chega a entrar aquele medo de que alguma coisa corra mal. Cá estaremos, cá estarei sempre, ao lado do meu campeão, o meu filho rapaz, este bom malandro, tão doce. Tem o coração no sítio certo, os valores humanistas bem definidos, só tem de acreditar mais nele. Porque nem desconfia o quão maravilhoso é e pode ser. 

Parabéns, miúdo, és o maior. 

 

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Ficou.

por PR, em 17.06.17

Por vezes, ainda hoje, de quando em vez, faço timing a músicas que ouço, dizendo "correio da mahã-rádio, 104.3 Lisboa, não faça por menos".

Verdade.

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Contra a ignorância.

por PR, em 28.05.17

 

É urgente ver e passar palavra, não esmorecer perante a ignomínia da arrogância ignorante e boçal de um milionário tonto. 

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Don't worry, be happy.

por PR, em 26.05.17

Daí que, quem decide não ganhe prémios de popularidade. É assim, e , às vezes, há decisões cujas razões profundas ficam com quem as toma, e com quem está directamente relacionado com essas decisões. É difícil, e isso também se aprende, ganhar coragem para tomar decisões duras. Mas se se tiver sempre a noção do que é o nosso trabalho, qual é a nossa função e o que é, a cada momento, o interesse superior, da nossa marca, da nossa equipa, daquilo que, no fundo, é preciso fazer, consegue-se o mais importante: mesmo contra todo o ruído que possa existir, fica a nossa consciência tranquila. E, com o passar do tempo, talvez tudo se perceba melhor. É nossa responsabilidade e não podemos fugir-lhe. 

Quando alguém é brilhante no que faz, mas viola princípios básicos de ética, respeito pelos colegas e trai a nossa confiança? Que fazer? 

Por outro lado, quando alguém é ultra esforçado, empenhado, quer aprender, trabalha, trabalha, trabalha...mas falta-lhe o talento, a técnica, a experiência e acaba por não estar à altura do que se precisa? Que fazer?

Vem tudo isto a propósito de um prémio que ganhei esta semana. Pessoas que não conheço decidiram que sou um chefe feliz. Obrigado pela distinção, é um calorzinho, depois de um ano especialmente duro, em que aguentei em silêncio tanto ruído, algum insulto, por causa de uma decisão que, basicamente, passou por aceitar a decisão tomada por outra pessoa, e aceitar que nem sempre tudo corre bem, às vezes as pessoas desiludem-se, e é preciso aprender, seguir em frente, proteger a equipa, a marca, os princípios em que se acredita e tudo faz parte. No final, toda a gente happy. Pronto.

Obrigado.

 

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