Ontem li que, na vida, a maioria das coisas que nos acontecem, acontecem sem ser por nossa vontade.
Fiquei a pensar nisso.
(Continua a ser uma questão de nervos ir ao cinema, sobretudo quando a sala está cheia, ao fim de semana. Pessoas que falam alto como se estivessem em casa, comem pipocas de boca aberta, fazem uma barulheira desgraçada com embalagens de pipocas e outras doçarias, não põem o telemóvel no silêncio, chegam tarde ao filme e pisam os pés de quem já está sentado - e não pedem desculpa. Ah, e, ás vezes, acontece ir para a sala de cinema partilhar cheio a suor. A sério, é preciso ter uma grande pachorra para não nos chatearmos no cinema.)
Bem, vamos ao que interessa:
Belo filme.
Daniel Craig vai bem, mas esta rapariga rouba-lhe o filme com uma interpretação notável.
E, num filme de semana cheio de cinema, gostava mesmo de recomendar este outro filme:
George Clooney tem o papel da sua vida, num filme com uma história que emociona, e nos recorda toda a fragilidade da nossa existência e a diferença entre o essencial e tudo o resto, no nosso dia a dia.
Um filme sobre a coragem de perdoar, a dor da perda, da traição, do desamor. Mas também um filme sobre vidas que se salvam na desgraça, sobre uma família que ergue das piores perspectivas, no balanço de uma monumental tempestade emocional (a última cena do filme é esperança em estado puro). O Hawaii sem ser em folheto turístico. Clonney a milhas do galã. E as duas actrizes que fazem aqui de suas filhas e que enchem o ecrã de talento também. Tanto.
Este filme tem tudo para se tornar um clássico. Os mais cinicos dirão que é um filme lamechas.
Eu digo que é um filme de grande inteligência, com uma humanidade cada vez mais rara, para lá do barulho das luzes de Hollywood, e um filme que evita os clichés dos finais previsíveis e que, sobretudo, deixa aberta a porta para algo que nos é, acredito, cada vez mais essencial: a esperança, apesar de tudo...e nada.
A não perder.
É pá, quero. :-)
O homem que levantou a Taça dos Campeões, na Final de Wembley, volta a mostrar que os verdadeiros campeões têm de saber sê-lo também, fora do campo e dos holofotes. Muito bem.
(dica do grande Pedro Aniceto, obrigado)


