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O alívio.

por PR, em 29.09.16

 

Da série "Eu que me comovo por tudo e por nada".
Sei bem o que é não saber de uma filha e andar à sua procura. Sei da angustia, do puro terror que se sente. E, felizmente, sei da alegria, do alivio, da gratidão imensa do instante mágico em que podemos voltar a abraçar de novo essa filha que, por momentos, desapareceu do nosso radar. Que imagens, estas!

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Cala-te.

por PR, em 29.09.16

É um desanimador sinal dos tempos, a forma como tanta gente toma como boas todas as noticias que lê. Como não há nem espírito critico, nem lucidez, nem capacidade de pensar pela sua própria cabeça e não perceber logo que há sites, e revistas, e jornais, que vivem só de lançar títulos mais ou menos explosivos, à caça de tiragem, e likes, e partilhas. E depois há aquela dura constatação de que quem nos conhece há tantos anos, não nos conhece nem respeita, afinal. e entrega-se ao emprenhar pelos ouvidos, e espalha a má língua, a intriga, a estupidez maldosa, e tira conclusões. E, claro. veste a capa de justiceiro da net e desata aos gritos, a teclar, a teclar, a teclar.

E os jornais vendem um bocadinho mais, e as revistas continuam a inventar e os sites que são só de mexerico aumentam o seu alcance e este negócio de lixo tóxico continua a arrasar tudo, sem fazer prisioneiros, é um esgoto a céu aberto. Para a semana, haverá outro "escândalo". Mais uma "noticia" falsa, de fontes inventadas, mais gente caluniada, siga o baile.

E ninguém lhes diz: Cala-te.

 

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Mestres.

por PR, em 19.09.16

Ao ouvir, de novo, no carro, este disco, interrogo-me como foi possível ainda não ter visto isto, ao vivo. Um dia acontecerá, inevitavelmente. É que este Messi joins Ronaldo do campeonato dos escritores de Canções da minha vida, é um sonho tornado realidade, para quem, como eu, cresceu a ouvir os dois mestres Jorge Palma e Sérgio Godinho.

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Num tempo em que Godinho e Palma andam a percorrer o país com o seu espectáculo a dois, é tão bom ouvir "A Noite Passada" , "Portugal, Portugal" e "O Primeiro Dia", a duas vozes. As suas canções entraram na minha vida a partir de momentos muito específicos de que me lembro bem. "O Lado Errado da Noite" foi a primeira música do Jorge Palma que eu ouvi, em 1988, numa emissão qualquer dos primeiros dias da TSF. Mais tarde, já no CMR, devorei toda a discografia até então, com paragem demorada no "Bairro do Amor", depois de um especial, editado pela graciosa Judith Meneses e Sousa (hoje repórter parlamentar da TSF), que chamou a esse programa, "Amores de Bairro", as coisas que uma pessoa guarda! 

Os primeiros discos que soube de cor, do grande Sérgio Godinho, foram "Na Vida Real" e o "Escritor de Canções". Ainda hoje adoro voltar a eles, de vez em quando.

Com Godinho e Palma, tem sido uma vida de descoberta e muitas vezes de deslumbramento, perante aquela arte de juntar palavras e cantar sobre as vidas "que são iguais em todos nós". 

Numa altura em que se anuncia o disco "Só", ao vivo no CCB, para Novembro, continua a ser mágico cantar, no carro, "A Terra dos Sonhos", "O meu amor existe" , "A gente vai continuar" .

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Jorge Palma e Sérgio Godinho cantam o Portugal social, político, sentimental, sonhador, ingénuo, pobre de espírito, encantador, e tudo mais que este pais é e nós todos somos, cada um à sua maneira. São artesãos finos da nossa língua, e mestres de quem temos a sorte de ser contemporâneos. Vou ali ver se ainda há bilhetes.

 

 

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A gente vai continuar. 

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A Rapariga no Comboio

por PR, em 06.09.16

 

Li o livro, nestas férias, e gostei muito. raramente acontece, mas acertei no assassino, e mais não digo, para não estragar a surpresa de quem está ou vai ler o livro.

A história passa-se em Inglaterra, nos arredores de Londres. Mas no filme atravessa o oceano e ganha outros cenários. Ainda assim, a coisa promete. 

"Todos os dias, Rachel apanha o comboio..".

 

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A vida de um 6.

por PR, em 05.09.16

No futebol, como na vida, sempre olhei com mais interesse para os Iniestas e Xavis do que para Messis e Ronaldos. Não me interpretem mal, adoro o CR7 e o Messi, mas, talvez por serem de um campeonato à parte, daquela constelação exclusiva dos que são iluminados por uma luz própria, que é só sua e é tão rara...acho que essa adoração é óbvia. No caso de um Xavi ou um Iniesta, a coisa requer outra atenção, outro foco no detalhe. também brilham com luz própria, mas é preciso ter outra atenção para ver quão longe chega esse caminho que eles iluminam em campo. Acho que me encanta a característica de serem jogadores discretos. Não há ali grande marketing, a não ser o toque de bola, a visão de jogo, a noção do espaço em todas as zonas do campo, a capacidade de inventar um passe letal onde mais ninguém via uma nesga possível para a bola passar. E, fora do campo, tipos normais. Não há cá penteados, roupas, carros ou outra qualquer que chame a atenção. Serão sempre conhecido pelo jogo em si. Achjo isso bonito. Sem criticar quem se distingue também por uma barba ruiva ou por um novo Ferrari. Mas ser grande e ser discreto é, para mim, ser ainda maior.

Sai esta semana a biografia de Andres Iniesta. O médio do Barcelona e da Selecção Espanhola, que ganhou tudo e continua a jogar no mesmo estilo e a ser, fora do campo, o homem de família de sempre. Nada de deslumbramentos, é um tipo normal. Só que não. É genial. E aquilo que já é possível ler, da biografia, comprova que estamos perante alguém inteligente e humilde, o que, para quem já conseguiu tudo o que ele conseguiu, é de aplaudir, porque é raro e precioso.

Houve uma altura em que, quando me perguntavam quem era o melhor jogador do mundo, eu respondia: "O XavIniesta"

Gosto sempre da malta que, trabalhando de uma forma séria e leal, com humildade e fazendo outros brilhar ainda mais, mantém os pés no chão, mas não perde a bola de vista. A biografia de Iniesta sai esta semana. Que senhor. Até na forma como aborda a sua caída particular ao fundo do poço, numa depressão que tratou como joga: discretamente, sem alarido. Um exemplo.

 

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Dar.

por PR, em 05.09.16

 

 

Hoje é Dia Mundial da Caridade. Em homenagem a Madre Teresa de Calcutá, agora Santa, as Nações Unidas criaram este dia, que lembra o trabalho e o mérito de todos aqueles que dedicam a sua vida a ajudar o próximo.

Nem, de propósito, ontem, na TVI, vi uma reportagem que mostra que a urgência é a de sempre. O primeiro perigo é deixar que estas imagens e esta urgência se banalize. 

Ao longo da vida, e muitos nos últimos anos, tenho conhecido gente que dedica parte do seu tempo ou todo o tempo que tem, para ajudar quem precisa. Num regresso aos mais básicos valores da vida em sociedade, daquilo que deve ser a humanidade como um todo, a solidariedade, o altruísmo e a coragem são, creio, o melhor exemplo que podemos deixar para todas as gerações que virão.

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Running

por PR, em 02.09.16

Quando, há coisa de dois anos, comecei a correr, mal aguentava o primeiro quilómetro. Hoje consigo fazer dez.

O exercício de correr acaba por ser muitas coisas: uma prova de auto superação, uma forma de desanuviar do stress do dia-a-dia, e uma descoberta de como podem ser elásticos os nossos limites. Competir connosco e conseguir ganhar.

E ir conquistando cada vez mais quilómetros e mais rápidos. Corro sempre a ouvir música. A média por quilómetro: uma musica e pouco. :-)

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Itália, hoje.

por PR, em 24.08.16

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O medo. Aquela noção de que um sismo não é possível prever e estamos todos nesta roleta russa, a torcer para que não seja aqui, da próxima vez. A vida a mudar de repente, tudo do avesso. Ou o fim. Horrível. 

Imagens da Ansa

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Como assim, fracasso?

por PR, em 19.08.16

A ligeireza indignada que leio em tanto sitio sobre o "fracasso" olímpico tuga, impressiona-me.

Vamos lá ver...A esmagadora maioria dos portugueses não sabe, nem quer saber, do Badminton, da Canoagem, do Voleibol. Não tem uma pista, vaga que seja, sobre o que é o Taekwondo, as regras do Judo, como é uma prova de Vela ou o que é a Ginástica de alta competição. Não raras vezes, olha com ignorante condescendência para quem pratica outro desporto qualquer sem ser futebol. Não faz ideia sobre quem são os melhores do mundo em qualquer dos outros desportos. Ou quem são os campeões nacionais, europeus ou mundiais. Não interessa. Não tem ideia nenhuma sobre quem são os atletas do Ténis de Mesa ou do Triatlo. "Não ganham medalhas, não prestam para nada".

De quatro em quatro anos, "é uma vergonha", os atletas são uns "chulos", que vão fazer "turismo à nossa conta".

Impressiona-me esta coisa fácil que teclar indignações e razões, sem saber do que se fala: quem são os atletas, o seu percurso, as condições de treino, a falta de uma política integrada de alta competição, os sacrifícios feitos por grande parte destes atletas para poderem competir, num país que passa quatro anos a ignorar aqueles a quem "exige" depois medalhas, de cada vez que há Olimpíadas.

Toda a gente gosta de ganhar, para que depois cada um possa reclamar como sua cada vitória.Não gosta de desporto, nem sequer de futebol. Gosta que o seu clube ganhe. Daí a clubite também manchar muitas das análises que são feitas à prestação dos atletas, num chocante exemplo de falta de capacidade critica para lá da boçalidade fácil.

Eu acho que há com certeza matéria para análise, e para critica, nesta participação portuguesa nos Jogos, claro que há. Mas esta "justiça popular de caixas de comentários e redes sociais" faz-me mesmo impressão. Olhe-se para o desporto português e perceba-se a sua realidade, fora dos Jogos Olímpicos. Que recursos temos e não temos. Que competências existem ou não. O que há para aprender e ensinar em cada área. Como se pode melhorar o treino e a competição. Como se pode melhorar tanto na formação e orientação de novas gerações para outros desportos, havendo condições para os praticar,  E, mesmo assim, o básico de cada prova desportiva: a vitória nunca é certa, nem para os melhores. Nada garante medalhas. Isto é verdade para um Rui Bragança ou para uma Marta Onofre como para um Bolt ou um Phelps.

E estes não imaginam, não podem imaginar, o que seria a sua vida se tivessem de treinar e competir em Portugal. 

 

 

 

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